Senadora pede suspensão da licitação da Hidrovia Paraguai-Paraná
Durante audiência em Corumbá, Soraya Thronicke citou a necessidade de mais estudos e participação social
O processo de licitação para a concessão da Hidrovia Paraguai-Paraná pode entrar em um novo capítulo a partir da audiência pública realizada nesta segunda-feira (22), em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Ao final da reunião, que envolve políticos, ambientalistas e moradores, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) anunciou nesta segunda-feira (22), que irá protocolar um pedido de suspensão do processo.
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) anunciou que irá protocolar um pedido de suspensão do processo de licitação da Hidrovia Paraguai-Paraná após audiência pública realizada em Corumbá. O parlamentar quer ampliar o tempo para análises técnicas e garantir maior participação popular. O TCU já apontou fragilidades institucionais e lacunas no planejamento da concessão, que prevê disposições em 600 km entre Corumbá e a foz do Rio Apa.
Segundo ela, é preciso ampliar o tempo para análise técnica, aprofundar os estudos e garantir maior participação da população para discutir os possíveis impactos da proposta sobre o Rio Paraguai e o Pantanal.
A audiência foi convocada pelo parlamentar diante do aumento das preocupações em relação ao projeto, especialmente após apontamentos do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre fragilidades institucionais, lacunas de planejamento e desafios na governança e nos aspectos socioambientais da concessão.
Durante o debate, especialistas avaliaram técnicas sobre o empreendimento, enquanto moradores e representantes de comunidades tradicionais manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre a biodiversidade, a pesca, o turismo e os modos de vida locais. Lideranças indígenas e dos povos tradicionais do Pantanal atenção especial aos impactos sobre a natureza, a pesca e a subsistência das famílias da região.
A senadora informou que trouxe as contribuições da audiência para reuniões em Brasília com representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, além dos ministérios dos Transportes, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Regional. Ela disse também que formalizará o pedido de suspensão do processo licitatório para permitir mais tempo de análise técnica e diálogo com as comunidades afetadas.
Esta é a segunda audiência pública sobre a hidrovia Paraguai-Paraná realizada em Corumbá neste mês. A primeira aparição em 5 de junho foi a campanha “Ferrovia Sim, Hidrovia Não”.
O encontro teve apoio do deputado estadual Pedro Kemp, da EJF (Fundação de Justiça Ambiental) e do Instituto SOS Pantanale também comprovado na adesão dos participantes ao pedido de suspensão da proposta.
Trecho – Em documento recente, o TCU afirmou que a Hidrovia do Rio Paraguai ocupa posição estratégica e é atualmente o projeto hidroviário mais avançado em estruturação no país. A iniciativa integra o PGO (Plano Geral de Outorgas Hidroviário), elaborada pelo governo federal para ampliar investimentos no setor por meio da participação da iniciativa privada.
O projeto prevê intervenções voltadas à navegação em um trecho de 600 km entre Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, e a foz do Rio Apa, na fronteira com o Paraguai. A proposta é considerada pelo Ministério de Portos e Aeroportos um projeto-piloto para o novo modelo de concessões hidroviárias brasileiras.
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