Brasil amplia reconhecimento de refugiados no Dia Mundial do Refugiado
São Paulo [Brazil]23 de junho (ANI): O Brasil comemorou o Dia Mundial do Refugiado com uma cerimônia no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília, comemorando o 75º aniversário da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados e reafirmando seu compromisso com a proteção dos refugiados, integração e cooperação internacional, de acordo com o Brasil 247.
O evento reuniu representantes do governo federal, do sistema de justiça, de organizações internacionais e da sociedade civil para discutir a proteção dos refugiados, a integração e os crescentes desafios colocados pelo deslocamento global. As autoridades destacaram os esforços do Brasil para fortalecer o seu sistema de proteção de refugiados, ao mesmo tempo que sublinharam que a integração a longo prazo continua a ser igualmente importante.
Abrindo o evento, a Secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, disse que a proteção dos refugiados é “um bem do qual os países podem se beneficiar” e observou que a abordagem do Brasil se tornou uma referência internacional de boas práticas. Ela também enfatizou que a protecção dos refugiados não deve ser confundida com a política de migração e reconheceu que o país reforçou a sua capacidade operacional para gerir as chegadas de refugiados.
Conforme relatado pelo Brasil 247, representando o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Davide Torzilli disse que buscar asilo é um direito humano fundamental. Observou que os conflitos, as alterações climáticas e as crises humanitárias tornaram o deslocamento global cada vez mais complexo, acrescentando que os refugiados precisam não só de protecção, mas também de oportunidades de integração social e económica.
O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Cesar Lima e Silva, descreveu o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) como a pedra angular da política de refugiados do Brasil, reafirmando o compromisso do governo com os princípios humanitários e a cooperação multilateral. Outros oradores destacaram a importância da formação linguística, da inclusão comunitária e das oportunidades de emprego para ajudar os refugiados a reconstruir as suas vidas.
Durante o evento, o ACNUR e o Observatório Internacional de Migrações lançaram os relatórios “Tendências Globais: Deslocamento Forçado em 2025” e “Refúgio em Números 2026”. Segundo o ACNUR, existem atualmente 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, incluindo 41,6 milhões de refugiados e 9 milhões de requerentes de asilo. Sete em cada dez refugiados são originários do Afeganistão, do Sudão do Sul, da Síria, da Ucrânia e da Venezuela, enquanto as crianças representam 39 por cento da população global de refugiados.
Os relatórios mostraram que o Brasil recebeu 75.600 novos pedidos de asilo em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. O país reconheceu oficialmente 165.774 refugiados, o que representa um aumento de 5,9 por cento em comparação com 2024. Os venezuelanos representaram quase 90 por cento dos refugiados reconhecidos, enquanto Cuba se tornou o principal país de origem para novos pedidos de asilo.
As autoridades também reconheceram os desafios persistentes, observando que a maioria dos municípios brasileiros ainda carece de iniciativas para combater a xenofobia e apenas uma pequena proporção oferece serviços públicos multilíngues. Apelaram a uma coordenação mais forte entre as agências governamentais e as comunidades locais para melhorar a recepção dos refugiados e a integração a longo prazo.
A cerimônia foi encerrada com a apresentação da cantora refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua jornada de busca pela liberdade no Brasil após deixar o Irã por causa de restrições aos direitos das mulheres.
Expressando gratidão ao seu país adotivo, ela disse que o Brasil lhe deu a oportunidade de reconstruir sua vida, ao mesmo tempo em que apelou ao apoio contínuo aos refugiados e à proteção dos direitos humanos em todo o mundo. (ANI)