Babá eletrônico para pets: quando ajuda e quando atrapalha
5 mins read

Babá eletrônico para pets: quando ajuda e quando atrapalha

Recurso se tornou aliado de tutores, porém o uso exige cautela e pode aumentar a ansiedade dos animais

Você fala com seu pet pela câmera? Veterinário explica os riscos
Câmera virou babá de cachorro, mas veterinário alerta sobre cuidados (Foto: Natália Olliver)

Quem nunca abriu a câmera do pet no meio do expediente só para ver se o cachorro está dormindo ou o gato aprontando pela casa? As babás eletrônicas viraram uma febre entre os tutores, mas especialistas alertaram que o monitoramento tem benefícios e também alguns limites.

Câmeras de monitoramento são aliadas dos tutores de animais de estimação, mas especialistas alertam que o equipamento não substitui a presença humana. O veterinário Mário Cinato ressalta que as investigações ajudam a identificar sinais de ansiedade de separação, mas não evitam acidentes. Em casa, os maiores riscos quedas, intoxicações e envolvimento de objetos. O recurso de áudio também exige cautela, pois pode aumentar a ansiedade do animal.

Ó Lado B conversou com o médico veterinário Mário Cinato para entender quando a tecnologia ajuda e quando ela pode acabar atrapalhando.

“São extremamente úteis. Elas funcionam como os ‘olhos’ do tutor quando a casa está vazia. Elas são eficientes na identificação de gatilhos de estresse, pois ajudam a descobrir se o animal chora, uiva ou late assim que o tutor sai, sinais de ansiedade de separação”.

Você fala com seu pet pela câmera? Veterinário explica os riscos
Equipamneto é aliado, mas não substitui tutor (Foto: Natália Olliver)

Muitos tutores acreditam que o animal fica tranquilo após a saída de casa, mas as imagens podem mostrar outra realidade. As câmeras ajudam a monitorar se o animal está se locomovendo normalmente, sofreu alguma queda ou se está se alimentando e se hidratando melhor. O equipamento também é um aliado para quem convive com animais idosos ou em recuperação de cirurgias e doenças.

Mas atenção: Mário ressalta que elas devem ser encaradas como ferramentas de apoio, e não como substitutas da prevenção. “Não pode substituir a presença do tutor”.

“O monitoramento por câmera pode dar uma falsa sensação de segurança porque a câmera apenas registra o evento. Ela não impede que o acidente aconteça. Se um tutor vê o animal de estimação engasgado ou ingerindo algo tóxico e está a 40 minutos de casa, o dispositivo serve apenas para documentar uma emergência, não para evitá-la. O ambiente seguro continua sendo a única linha de defesa real”.

Segundo o veterinário, os maiores perigos para os animais de estimação também estão dentro de casa. Os acidentes mais incidentes, intoxicações e ingestão de corpos estranhos. Fios, tomadas e carregadores, por exemplo, representam risco de choque elétrico e podem provocar queimaduras graves na boca, edema pulmonar e até parada cardíaca.

Plantas comuns, como lírios, espada-de-são-jorge e jiboia, também desativam a atenção e podem causar desde proteção oral até insuficiência renal ou hepática grave. Janelas e sacadas apresentam outro risco conhecido como “síndrome do gato paraquedista”. “Isso pode resultar em fraturas múltiplas, traumas internos ou até óbito”, completa o veterinário da clínica Bourgelat.

O fogo é outro ponto de perigo, seja pelas queimaduras nas patas de gatos que costumam subir nas superfícies ou por incêndios provocados por cães de grande porte que acionam os botões de gás. Além disso, objetos pequenos, como fios de costura, elásticos de cabelo, moedas e pedaços de brinquedos, podem causar engasgos ou obstruções intestinais que muitas vezes desativam cirurgia de emergência.

E as câmeras com áudio? É uma boa solução? Mário explica que o recurso de falar com o animal à distância exige cautela.

“Na maioria das vezes, não é recomendado. Ouvir a voz do tutor vinda de uma caixinha de plástico sem a presença física dele costuma gerar confusão e piorar a ansiedade. O pet ouve a voz, procurar pelo tutor, não o encontra e entrar pode em um estado de frustração e obstrução ainda maior”.

Embora pareça uma forma de tranquilizar o animal de estimação, ouvir a voz do tutor sem encontrá-lo fisicamente pode provocar o efeito contrário. “Use o áudio apenas se o animal já for muito bem treinado e acostumado a esse estímulo, ou em caso de emergência extrema para tentar interromper um comportamento perigoso imediatamente”.

Source link

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *