Acordo Mercosul-Canadá pode contribuições de exportações de MS
Tratado deve ser negociador de exportações de carne bovina, celulose e outros produtos do agronegócio do Estado
A expectativa de conclusão do acordo de livre comércio entre Canadá e Mercosul até o fim deste ano deve contribuir com exportações de Mato Grosso do Sul para o mercado canadense, principalmente de carne bovina e celulose, dois dos principais produtos da economia estadual e com potencial de expansão naquele mercado.
A expectativa de conclusão do acordo de livre comércio entre Canadá e Mercosul até o final de 2026 deve contribuir para as exportações de Mato Grosso do Sul, especialmente de carne bovina e celulose. Entre janeiro e maio deste ano, as exportações do Estado para o Canadá cresceram 316,9% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo US$ 8,13 milhões, segundo dados da Câmara de Comércio Brasil-Canadá.
A análise é da gerente executiva de Desenvolvimento de Negócios e Inteligência de Mercado da CCBC (Câmara de Comércio Brasil-Canadá), Beatriz Calegare, em entrevista ao Notícias Campo Grande. Segundo ela, entre janeiro e maio de 2026, as exportações de Mato Grosso do Sul para o Canadá cresceram 316,9% na comparação com o mesmo período de 2025, reforçando o desempenho positivo da balança comercial entre o Estado e o país norte-americano.
Para o especialista da CCBC, o tratado entre Mercosul e Canadá deve beneficiar consideravelmente as relações comerciais entre Brasil e Canadá, ampliando oportunidades de negócios e investimentos entre os dois países.
“Quando olhamos para Mato Grosso do Sul, entendemos que há um potencial ainda maior de crescimento, já que o Estado mantém uma balança comercial superavitária com o Canadá”, diz. “Com a entrada em vigor do acordo, a expectativa é de ampliar ainda mais esse intercâmbio”, analisou Beatriz Calegare, que evitou cravar percentuais e disse que a CCBC ainda está elaborando projeções comerciais.
Embora o Canadá também tenha cadeia importante nos setores de madeira e celulose, os produtos possuem perfis distintos, o que abre espaço para complementaridade comercial. Além disso, o Estado tem como diferencial a bioeconomia e os avanços em sustentabilidade na cadeia produtiva, aspectos cada vez mais valorizados pelos canadenses, disponíveis.
Expectativas
A previsão é de que o acordo entre Mercosul e Canadá seja concluído ainda em 2026, com as assinaturas ocorrendo possivelmente mais para o fim do ano. A leitura é de que há interesse das duas partes em finalizar o acordo ainda este ano.
“A nossa principal expectativa é ampliar as trocas comerciais entre Brasil e Canadá. Esse também é o objetivo das duas partes, pelo que temos acompanhado nas negociações entre os governos”, observa.
As negociações para um acordo de livre comércio entre Canadá e Mercosul foram lançadas oficialmente em março de 2018, após a conclusão de discussões exploratórias que apontaram potencial para ampliar o comércio e os investimentos entre os dois mercados. O tratado prevê a redução de barreiras comerciais e a ampliação do acesso aos mercados de bens, serviços e investimentos.

Barreiras dos EUA
Após um período de menor atividade e interrupções durante a pandemia, as negociações foram retomadas recentemente. Os governos envolvidos trabalham com a expectativa de concluir o acordo até o fim de 2026.
Na avaliação do especialista da CCBC, o tratado ganha ainda mais relevância na atual conjuntura, diante da imposição de tarifas pelos Estados Unidos ao Canadá e a outros parceiros comerciais, incluindo o Brasil, o que acabou criando novas oportunidades para empresas brasileiras no mercado canadense.
O Canadá vem adotando uma estratégia de diversificação de fornecedores na tentativa de reduzir a dependência dos Estados Unidos, o que abre espaço para que os brasileiros se consolidem como uma alternativa relevante nesse processo. “O Brasil tem entrado muito nessa pauta como um fornecedor alternativo.”
Nos últimos anos, o interesse das empresas brasileiras pelo mercado canadense cresceu significativamente. Se antes o Canadá era visto como um mercado de oportunidades, hoje ocupa uma posição estratégica para muitos setores. Por isso, a expectativa é de aumento das trocas comerciais e de aprofundamento das relações econômicas no longo prazo, impulsionadas tanto pelo acordo quanto à reconfiguração do comércio internacional.
Superavitária
No acumulado dos primeiros cinco meses deste ano, as exportações de Mato Grosso do Sul para o Canadá quadruplicaram, alcançando US$ 8,13 milhões, frente aos US$ 1,95 milhão embarcados pelo setor produtivo estadual no mesmo período de 2025. As boas-vindas do Canadá também cresceram e alcançaram US$ 1,15 milhão, acima dos US$ 266 mil registrados nos primeiros cinco meses de 2025, destacam dados da CCBC com base nos resultados da balança comercial do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Em todo o ano de 2025, as exportações de Mato Grosso do Sul para o Canadá chegaram perto de US$ 44 milhões. Já as compras realizadas junto ao mercado canadense somaram cerca de US$ 1 milhão, principalmente de fertilizantes.
Foco na sustentabilidade
Embora tenha como foco a ampliação do comércio e dos investimentos, o acordo entre Canadá e Mercosul segue o modelo de negócios tratados de nova geração e deve incluir compromissos relacionados à sustentabilidade ambiental, direitos trabalhistas, transparência e governança, temas alinhados ao desenvolvimento sustentável e aos princípios ESG (ambiental, social e governança).
“O que sabemos é que será um acordo amplo, que não se limita à redução de tarifas comerciais. Ele também incorpora temas que costumam ser prioridade para o Canadá em negociações internacionais, como sustentabilidade, governança e boas práticas alinhadas aos princípios ESG.”
Esses temas têm grande relevância para os canadenses e tendem a ganhar ainda mais espaço na relação entre os dois países.
Summit Brasil-Canadá
A CCBC aposta em eventos como o fórum internacional sobre o agronegócio, principal encontro da entidade neste ano, previsto para ocorrer em novembro, em São Paulo, para ampliar a conexão entre os dois mercados. O chamado Summit Brasil-Canadá reunirá toda a cadeia do agronegócio.
“A ideia é estudar e acompanhar essa relação, identificando os paralelos entre Brasil e Canadá, suas economias, setores produtivos e oportunidades. A partir desse entendimento, buscamos fortalecer a complementaridade entre os dois mercados e criar novas possibilidades de negócios e investimentos.”
A CCBC acompanha o comércio entre o Canadá e os estados brasileiros individualmente, por meio de municípios setoriais.
“Hoje, a Câmara mantém um trabalho direcionado aos setores estratégicos, com atenção especial ao agronegócio, uma das principais forças da economia de Mato Grosso do Sul. O objetivo é identificar oportunidades e fortalecer conexões com o mercado canadense para ampliar as trocas comerciais.
No caso de Mato Grosso do Sul, individualmente, a proposta é aproximar vendedores brasileiros de compradores canadenses, além de apresentar aos investidores o potencial econômico do Estado e seus diferenciais competitivos. Nossa expectativa é fortalecer a complementaridade entre as economias brasileira e canadense, ampliando os negócios, os investimentos e as parcerias já existentes”.
