Professora denuncia diretor por assédio sexual em Campo Grande
Docente de 40 anos relata perseguição e insinuações na escola municipal; justiça proibiu contato
Uma professora de 40 anos denunciou o diretor, de 48 anos, da escola Municipal de Tempo Professora Integrante Ana Lúcia de Oliveira Batista, em Campo Grande, por assédio sexual e conseguiu na Justiça uma medida protetiva de urgência. A decisão determina que o servidor mantenha distância mínima de 300 metros da vítima e é proibido manter qualquer tipo de contato com ela, seus familiares e testemunhas.
Uma professora de 40 anos obteve medida protetiva na Justiça contra a diretora, de 48 anos, da Escola Municipal de Tempo Integral Professora Ana Lúcia de Oliveira Batista, em Campo Grande, após denunciá-lo por assédio sexual. O servidor é proibido de se aproximar menos de 300 metros da vítima e de manter qualquer contato com ela, familiares e testemunhas. A Patrulha Maria da Penha fiscalizará o cumprimento da ordem judicial.
Conforme o boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a professora afirmou que os episódios ocorreram desde o início de sua atuação na escola. Segundo ela, sempre que procurava o diretor para tratar de assuntos relacionados ao trabalho, era alvo de comentários e elogios com conotação sexual.
De acordo com o relato, o diretor disse frases como “sua boca é linda”, “você é linda ilumina a sala” e perguntou “quando você vai postar uma foto de biquíni para mostrar seus atributos?”. Ainda conforme a denúncia, ele também teria afirmado: “os meninos estavam atrás de você porque você tem uma bunda gostosa”.
A professora contou que, aproximadamente dois meses depois, o diretor voltou a fazer uma investigação para dizer que ela poderia gravar “um vídeo usando biquíni fio-dental no Acqua Play”.
Outro episódio descrito no boletim ocorreu quando o docente comentou com o diretor que havia recebido R$ 1,2 mil via Pix. Segundo ela, o servidor reagiu de forma sarcástica, insinuando que o dinheiro teria sido obtido por meio de “programa”. A professora afirmou que esclareceu que o valor era referente ao pagamento por um curso dos gestores, mas disse ter ficado constrangido com a insinuação.
Ainda conforme o registro policial, após esse cursoo diretor ofereceu carona à professora. Durante o trajeto, parou para comprar cerveja e, ao sair do estabelecimento, teria dito: “vou pegar umas cervejas para levar porque hoje eu vou fazer amor, e você vai fazer amor hoje?”.
Um relato à Polícia Civil que todas as vítimas as investidas foram recusadas. Diante da situação, uma professora detectou a Polícia Civil e solicitou medidas protetivas de urgência. Ao analisar o pedido, o juiz plantonista entendeu que havia desculpas suficientes da prática do crime de assédio sexual e que a convivência entre vítima e investigado no mesmo ambiente de trabalho representava risco concreto à integridade física e psicológica do docente.
Com isso, foi determinada a orientação de aproximação da professora, de seus familiares e das testemunhas em um raio mínimo de 300 metros, além da proibição de contato por telefone, mensagens, aplicativos, redes sociais, e-mail ou por meio de terceiros.
Posteriormente, a 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher ratificou a decisão proferida durante o plantão judicial e manteve as medidas protetivas. A juíza também determinou que a Patrulha Maria da Penha acompanhe e fiscalize o cumprimento da ordem judicial.
O caso segue em apuração. A medida protetiva é de natureza cautelosa e tem como objetivo resguardar a vítima durante uma investigação, não representando expressamente o investigado.
A reportagem entrou na Prefeitura de Campo Grande para comentar a denúncia e questionou se será instaurado procedimento administrativo ou executivo alguma medida em relação ao diretor. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
