Chuvas isolam bairro e ônibus deixa de atender pontos
Moradores do Jardim Campo Alto falam em abandono e crítica qualidade do transporte coletivo

Esperar o ônibus no meio da rua, sem abrigo e sem a certeza de que o coletivo vai passar. Essa tem sido uma rotina de moradores do Jardim Campo Alto, em Campo Grande, após as chuvas agravarem as condições das vias sem pavimentação. Segundo os relatos, as chuvas alteraram parte do itinerário do transporte coletivo, porque o ônibus não consegue trafegar por alguns trechos, deixando de atender 3 pontos de embarque.
Moradores do Jardim Campo Alto, em Campo Grande, enfrentam dificuldades no transporte público após as chuvas agravarem as condições das vias sem pavimentação. Parte do itinerário foi alterada porque os ônibus não oferecem trafegar por alguns trechos, deixando três pontos sem atendimento. Sem abrigo, os passageiros esperam no meio da rua. A prefeitura foi procurada, mas não respondeu até a publicação.
Uma equipe faz Notícias Campo Grande Esteve no bairro e encontrou o aposentado Elenio Silvio, de 87 anos, aguardando o ônibus no meio à pista. Sem um ponto adequado, ele diz conviver diariamente com a insegurança.
“Eu estou esperando o ônibus aqui, mas ele costuma virar lá em cima e não entrar nesta rua. Esses dias mesmo eu voltei para casa a pé durante a noite porque eles fizeram o retorno antes”, conta.
O aposentado comenta que os passageiros passam por outros desafios. “Tem buraco para todo lado e a situação é complicada. Quando o ônibus para, a gente desce sem conseguir ver quem está vindo na rua, e isso acaba sendo perigoso.”

Moradora da Rua Manoel Crescente Silva, que preferiu não se identificar, afirma que os problemas se intensificaram no início desta semana, quando um ônibus ficou atolado durante o trajeto.
“O ônibus só conseguiu passar porque a rua seca. Se voltar a chover, ele não passou mais. Ele ficou atolado, não conseguiu subir e precisou voltar. Na terça-feira (23) ele deu ré e voltou, nem se arriscou a passar pela rua. Depois avisaram que não iam mais descer por aqui”, relata.
Segundo ela, três pontos de ônibus ao redor da casa dela deixaram de ser atendidos. “Aqui fica muita gente esperando. A gente acaba ficando no meio da rua, correndo risco de assalto ou qualquer outra situação. Hoje eu não quis arriscar ficar esperando no ponto e precisoi pagar R$40 de Uber”
Além das condições da via, a moradora reclama a ausência de abrigo para os passageiros e a falta de manutenção na região. “Eu gostaria que tivesse um ponto de ônibus coberto e que fosse feito a limpeza do local. Também preciso passar um trator e colocar cascalho novo. Quando chove, as pedras descem e não seguram nada. O mato também é um problema, está muito alto e ninguém consegue enxergar nada”.
O empresário Matheus dos Santos, de 28 anos, afirma que a interrupção das ruas ocorreu após as últimas chuvas e confirma que, fora dos horários de pico, o coletivo deixou de circular pelo trecho. “Disseram que o ônibus só está passando nos horários de pico. Fora isso, ele segue pelo asfalto e volta para o terminal”.
A situação também afeta a mãe dele, que sai de casa ainda de madrugada para trabalhar. “Antes ela pegava o ônibus aqui na frente, mas agora precisa caminhar até outro ponto. É um lugar muito escuro e perigoso. Não existe nenhuma estrutura para quem depende do transporte público”.
O morador da Rua Isa Alves Fontuna há dez anos, o aposentado Antônio Dias dos Santos, de 60 anos, afirma que o abandono é antigo. “Nosso bairro está abandonado. Esta é uma linha de ônibus e não existe sequer um abrigo para as pessoas se protegerem da chuva”.
Ele conta que os próprios moradores fazem parte da manutenção para minimizar os impactos das enxarradas. “Eu mesmo cuido daqui da frente aqui. Se eu não cuidasse da vala para escoar a água, nós nem conseguiríamos passar de carro quando chove”.
Segundo Antônio, os prejuízos também afetam quem possui veículo. “Já gastei mais de R$ 3 mil com a suspensão por causa das condições das ruas. Sinceramente, às vezes é mais fácil andar em estrada de chão do que em algumas ruas daqui”.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campo Grande foi questionada sobre a previsão para manutenção das vias, limpeza dos terrenos públicos, instalação de abrigo nos pontos de ônibus e eventual normalização do tráfego da linha que atende o Jardim Campo Alto. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Esse caso foi sugerido por leitor que invejou mensagem pelo canal Direto das Ruas.