Atleta com muletas inspiradas na Maratona de Campo Grande
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Atleta com muletas inspiradas na Maratona de Campo Grande

Depois da bike, Gilvan se prepara como muletas para correr na 1ª competição
Gilvan treinando na rua, com as muletas para o ar (Foto: Arquivo pessoal)

O auxiliar administrativo Gilvan Pereira da Silva, 43, tem chamado atenção nos treinos de rua que o preparam para a Maratona de Campo Grande, competição da qual vai participar no próximo sábado (4). Como ele corre com apenas uma perna e auxílio de muletas, virou destaque nos calçadões por onde passa.

Gilvan Pereira da Silva, 43 anos, auxiliar administrativo que teve a perna amputada após acidente em 2010, vai participar da Maratona de Campo Grande no próximo sábado, na prova de 5 km, correndo com muletas. Já atleta de ciclismo, ele migrou para a corrida em busca de novo desafio, perdeu 5 kg e passou a inspirar outras pessoas, incluindo seus prima e frequentadores do calçadão onde treina.

“As pessoas ficam admiradas”, conta o corredor. Mas não é para surpreender os outros que começaram a praticar o esporte, e sim para cumprir um desafio pessoal.

Gilvan já era atleta de ciclismo e acumulava em casa as medalhas das diversas competições que participou na categoria PcD (pessoa com deficiência). Inclusive, as conquistas com a bicicleta já viraram notícia no Notícias Campo Grande.

Depois da bike, Gilvan se prepara como muletas para correr na 1ª competição
Ciclista pedala sem a prótese por estrada da área rural (Foto: Arquivo pessoal)

Neste ano, ele começou a pensar em aprender a fazer algo que teria um nível de dificuldade a mais. “Eu já estava adaptado no ciclismo, mas a corrida me exige muito mais resistência e força. A perna doía no começo e eu pensei em desistir. Só que eu combinei comigo que não iria”, relata.

A tristeza que bateu meses após a amputação de perna do auxiliar administrativo em nada lembra a alegria de saber que vai competir, pela primeira vez, no novo esporte que escolheu. Ele está inscrito na prova de 5 km da Maratona de Campo Grande. Espera completar o percurso em menos de 32 minutos, que é o seu tempo médio.

Há quase 16 anos – Um acidente de trânsito na Avenida Júlio de Castilhos, em 20 de agosto de 2010, resultou na amputação de um membro. Gilvan estava de folga e iria levar uma motocicleta para trocar a transmissão, mas nem conseguiu chegar ao escritório. “Cheguei na Santa Casa de Campo Grande com a pressão em 6 por 5. Eu nasci de novo”, relembrou à reportagem.

Depois da bike, Gilvan se prepara como muletas para correr na 1ª competição
Auxiliar administrativo precisa usar as muletas para “remar” e dá saltos para acelerar o passo (Foto:: Arquivo pessoal)

Demorou até que ele aceitasse a nova condição. “Eu pensei: meu Deus, o que eu vou fazer? Tive muito apoio da família, foi o que me salvou”, começa.

O esporte chegou quase 10 anos depois, para dar mais sentido à vida. “Comecei com a bicicleta durante a pandemia por hobby, até resolver me inscrever numa competição e ver que, apesar das dificuldades, a gente consegue tudo”, afirma.

Perda de peso e incentivo – Gilvan cita um benefício que a corrida acabou trazendo e ele não esperava. “Perdi 5 kg. Estou tendo ajuda de uma nutricionista no trabalho para manter uma alimentação balanceada”, fala.

Outra coisa que o deixa satisfeito é perceber que está incentivando outras pessoas a correr. A prima começou a acompanhá-lo em alguns treinos recentemente. Até quem já é corredor, como Leandro Oliveira, fica motivado ao ver o homem amputado correndo feliz da vida.

“É, meus amigos, sexta-feira. Estamos aqui, mais um dia. Encontrei um cara aqui, que ele é espetacular. Geralmente ele passa lá para tomar um café com a gente. Independentemente da dificuldade, ele está fazendo acontecer também”, diz Leandro num vídeo gravado na Orla do Aeroporto para as redes sociais.

Veja o vídeo:

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