Juiz nega prisão domiciliar a veterinária que atou fogo no marido

Defesa alega que investigada precisa cuidar do filho; juiz entendeu que a gravidade do caso impede alternativas
A 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande negou o pedido da médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, para revogar a prisão preventiva ou substituir-la por prisão domiciliar. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (29), após a defesa alegar que a investigada precisa cuidar do filho de 9 anos, que está sem os pais porque o marido permanece internado.
Juíza da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande negou pedido para revogar a prisão preventiva da veterinária Lidiane Cecília Pereira, 42 anos, presa desde 22 de junho por suspeitas de atear fogo no marido, que sofreu queimaduras em 30% do corpo. A defesa alegou que ela precisa cuidar do filho de 9 anos, mas o juiz determina que outros familiares podem assumir os cuidados da criança.
Conforme trecho da decisão ao qual o Notícias Campo Grande teve acesso, o juiz Aluizio Pereira dos Santos afirmou que os argumentos apresentados pela defesa “não alteraram o cenário apresentado durante a audiência de custódia”. Para o magistrado, permaneceram os motivos que justificaram a prisão, principalmente pela gravidade do caso e pela necessidade de preservação da ordem pública.
Os advogados sustentaram que Lidiane deveria cumprir prisão domiciliar porque é mãe de um menino de 9 anos. Segundo a defesa, a criança está sem os cuidados dos pais, já que a veterinária está presa e o pai segue internado por causa das queimaduras. Também citaram que ela tem residência fixa, exerce a profissão de médica veterinária e não possui antecedentes criminais.
Ao rejeitar o pedido, o juiz afirmou que a situação familiar não é suficiente para justificar a mudança de medida. Na decisão, destacou que a própria defesa informou que o menino está sob os cuidados da irmã mais velha, de 22 anos, e informou que, em casos como esse, outros familiares podem assumir temporariamente a assistência à criança.
O magistrado também abriu a possibilidade de substituir a prisão por medidas cautelares. Segundo ele, diante da forma como o crime teria sido praticado, “não se mostra suficiente e nem socialmente recomendável” alternativas de prisão preventiva.
Histórico – Lidiane está presa desde 22 de junho. Ela é investigada por atear fogo no marido, ex-diretor do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), durante uma discussão na casa da família, em Campo Grande.
O homem sofreu queimaduras em cerca de 30% do corpo, principalmente no tronco e nos braços, e continua internado em estado grave.
Em depoimento à Polícia Civil, uma veterinária afirmou que não queria matar o marido. Ela disse que queria queimar a mochila com os pertences dele para impedir que viajasse para Brasília e forçá-lo a confessar uma suposta traição. Também declarou estar arrependida.
Na audiência de custódia realizada no dia seguinte à prisão, a Justiça já havia transformado o flagrante em prisão preventiva.