IPP cai 0,30% em maio puxado por alimentos, diz IBGE

A indústria brasileira voltou a registrar queda nos preços na saída das fábricas em maio, interrompendo a sequência de altas observadas no mês anterior. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta terça-feira (30) pelo IBGE, apontou recuo médio de 0,30% em relação a abril, movimento puxado principalmente pela redução dos preços dos alimentos, especialmente açúcar e café, em meio ao avanço da safra.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou queda de 0,30% em maio, interrompendo a sequência de altas do mês anterior, segundo o IBGE. A deflação foi puxada pelos alimentos, com o açúcar recuando 10,38% devido ao avanço da safra. No acumulado de 2026, o índice ainda acumula alto de 4,80%, com pressão em produtos químicos, plásticos e petróleo.
Apesar da retração mensal, os preços industriais continuam pressionados em 2026. O índice acumula alta de 4,80% nos primeiros meses do ano, o quarto maior resultado para um mês de maio desde o início da série histórica, em 2014. Em 12 meses, a variação ficou em 1,99%.
O IPP acompanha os preços dos produtos “na porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes, especificamente como uma importante tarifa da inflação na cadeia produtiva antes de os custos chegarem ao consumidor.
O principal responsável pela deflação de maio foi o setor de alimentos, que responde pela maior parcela do índice. Os preços da atividade caíram 2,05%, influenciados pela redução de 10,38% nos preços do açúcar, favorecidos pelo avanço da colheita da cana-de-açúcar. O café também registrou queda, acompanhando o início da safra.
Segundo o gerente do IPP, Murilo Alvim, o comportamento desses produtos teve peso decisivo para o resultado da indústria. Sozinho, o segmento de alimentos retirou 0,48 ponto percentual da variação geral do índice.
Enquanto os alimentos aliviaram os preços industriais, outros setores continuaram registrando forte pressão. As oscilações de maio ocorreram nas maiores indústrias extrativas (-5,90%), borracha e plástico (4,80%), madeira (3,08%) e outros produtos químicos (2,14%).
O segmento de borracha e plástico chamou atenção pelo ritmo de alta. Apenas nos últimos três meses, os preços dos produtos de material plástico subiram 21,83%, refletindo o repasse dos aumentos registrados anteriormente nos derivados de petróleo ao longo da cadeia produtiva.
No acumulado de 2026, os maiores aumentos permaneceram concentrados em outros produtos químicos (20,28%), indústrias extrativas (15,78%), borracha e plástico (14,78%) e refino de petróleo e biocombustíveis (8,27%), trazendo que parte da indústria ainda convive com custos elevados de produção.
Entre as grandes categorias econômicas, todos os registradores caíram em maio. Os bens de capital recuaram 0,21%, os bens intermediários caíram 0,29% e os bens de consumo sofreram redução de 0,34%. Dentro desse grupo, os bens consolidados ficaram bastante satisfatórios, com alta de 0,09%, enquanto os bens semiduráveis e não duradouros recuperaram 0,42%.
Os bens intermediários, utilizados como insumos por outros setores da economia, exerceram maior influência sobre o resultado geral devido ao peso superior a 55% na composição do índice.
Embora o retrocesso de maio signifique um rompimento momentâneo nos preços industriais, o acumulado expressivo de 2026 mostra que a pressão sobre os custos de produção ainda permanece elevada em diversos segmentos, especialmente aqueles ligados a insumos químicos, petróleo e materiais plásticos. A evolução desses preços tende a continuar influenciando o comportamento da inflação ao consumidor nos próximos meses.