Elefanta Baby viaja para santuários no Mato Grosso
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Elefanta Baby viaja para santuários no Mato Grosso

Animal passou por Campo Grande por volta das 14h30 e, pouco tempo depois, parou para se alimentar

Sob chuva constante e escolta da Polícia Rodoviária Federal, a elefante Baby, natural da Flórida (EUA), fez um breve trajeto por Campo Grande enquanto se deslocava para o Santuário de Elefantes do Brasil, localizado na Chapada dos Guimarães (MT). Ela chegou à Capital por volta das 14h30, pela MS-040, e, antes do previsto, parou em Jaraguari para uma pausa e para o “café da tarde”. Baby enfrenta uma viagem de aproximadamente 1,9 mil milhas, saindo de Santa Catarina com destino ao santuário no estado vizinho.

A elefante asiática Baby, de 34 anos, passa por Campo Grande durante transferência do Beto Carrero World, em Santa Catarina, para o Santuário de Elefantes do Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT). A viagem de cerca de 1,9 mil quilômetros teve início na quinta-feira (18) e deve ser concluída neste sábado (20). A transferência foi determinada pela Justiça de Santa Catarina, que considerando os santuários mais adequados para atender às necessidades do animal.

Baby é uma elefante asiática que nasceu em cativeiro na Flórida, nos Estados Unidos, há 34 anos. Ainda jovem, foi vendido para um circo e, posteriormente, passou a viver no Beto Carrero World, em Penha (SC). O caso de Baby foi parado na Justiça de Santa Catarina em 2024 e, no início deste mês, o juiz determinou sua transferência para os santuários no Mato Grosso.

Cinco profissionais do Santuário de Elefantes Brasil, quatro motoristas e três membros da ONG Princípio Animal, que possuem uma guarda compartilhada de Baby com os santuários, acompanham a viagem. A elefante é a 12ª resgatada pela instituição, que atualmente abriga animais vindos de circos, zoológicos e parques de diversos países.

Segundo o diretor dos santuários, Raphael Bontempi, o transporte ocorreu sem intercorrências. A comitiva saiu de Penha (SC) na tarde de quinta-feira (18) e deve concluir a trajetória neste sábado (20). “Ela está ótima. Até agora não tivemos nenhum problema. Fazemos paradas regulares para hidratação, alimentação e limpeza da caixa de transporte”, explicou.

Projetada especialmente para viagens de longa distância, a caixa onde Baby é transportado possui aberturas reguláveis ​​para ventilação, compartimentos para alimentação e limpeza, além de um sistema que permite aos tratadores realizar manejos sem contato direto com o animal. De acordo com o médico-veterinário Mateus de Assis Bianchini, responsável pelo acompanhamento da elefante, a estrutura foi desenvolvida para garantir conforto e segurança durante o deslocamento.

“Quando saímos de Santa Catarina, enfrentamos temperaturas mais baixas e mantivemos as laterais fechadas. Conforme chegamos a regiões mais quentes, podemos abrir as entradas de ar para aumentar a ventilação. Tudo é pensado para que ela viaje da forma mais confortável possível”, detalhou.

Durante o percurso, Baby recebe água, Gatorade para auxiliar na hidratação e paçoca, alimentação semelhante à que estava habituada no Beto Carrero World. A equipe transporta mais de 8 fardos de feno, capim fresco, cana-de-açúcar e cerca de uma dúzia de caixas de frutas. Entre os agrados oferecidos à elefante está a rapadura, utilizados como reforço positivo durante o manejo.

Durante uma pausa em Jaraguari, a cerca de 50 quilômetros da Capital, Baby tomou eletrolítico, comeu capim fresco e até encarou a reportagem. Enquanto cruzava pela BR-163, um elefante foi monitorado por câmeras da Motiva Pantanalorientação que monitora a rodovia.

A transferência foi determinada pela Justiça de Santa Catarina após uma disputa judicial envolvendo o destino do animal. Na decisão sobre qual o Notícias Campo Grande teve acesso, o juiz considerando que o Santuário de Elefantes Brasil oferece melhores condições para atender às necessidades comportamentais e sociais da espécie, especialmente pela possibilidade de convivência com outros elefantes e pela ausência de exposição ao público. O magistrado também destacou que o local dispõe de áreas amplas e interligadas, permitindo adaptação gradual e manejo individualizado.

Ao chegar ao santuário, Baby fará uma breve quarentena e realizará exames de lavagem de tromba, teste molecular e sorológico, que identificam tuberculose. O santuário deverá apresentar à Justiça relatórios médico-veterinários e comportamentais sobre um elefante bebê bimestralmente.

Ao volante do caminhão que transporta Baby está Eliel Alves, de 38 anos. Embora já tenha participado da construção de um dos primeiros recintos do Santuário de Elefantes Brasil, esta é a primeira vez que ele acompanha uma operação de transferência de um animal do porte do elefante.

Com paçoca e Gatorade, elefante Baby faz "pausa para lanche" em Jaraguari
Bebê tomando eletrólito durante pausa em Jaraguari (Foto: Geniffer Valeriano)

“É interessante. Nunca fizemos esse transporte, mas estamos levando ela com toda a segurança e apoio da equipe”, afirmou.

Para garantir o conforto do animal durante os quase 1,9 mil quilômetros de percurso, a velocidade do treinamento é controlada. “A gente mantém entre 70 e 80 milhas por hora para chegar o mais rápido possível, mas sem comprometer o bem-estar dela”, explicou.

Com paçoca e Gatorade, elefante Baby faz "pausa para lanche" em Jaraguari

Puppy, Quênia e Sandro – Em abril do ano passado, uma elefante africana Puppy atravessou o Mato Grosso do Sul com destino à Chapada dos Guimarães. Ela percorreu uma distância mais longa que a Baby pois saiu de um ecoparque na Argentina, e percorreu o Paraná, antes de passar pelo solo sul-mato-grossense. Cinco meses depois de chegar aos santuários, Puppy acabou falecendo.

Três meses depois, foi uma vez que o Quênia cruzou o estado para integrar os santuários. Durante o trajeto, a elefante recebeu feno, alfafa, folhas, abóbora, melancia e outras frutas. A viagem do Quênia durou 4 dias até chegar ao Mato Grosso do Sul.

Depois de Puppy, Kenya e Baby, o próximo desafio dos santuários será o transporte de Sandro, elefante desligado em Sorocaba (SP). Conforme a equipe, a operação deve ser mais complexa porque o animal não responde aos comandos utilizados no manejo e ainda há dúvidas sobre a logística para adaptação da caixa de transporte. A possibilidade de envio antecipado de profissionais ao local também está sendo avaliada.

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