Fantasia de Touro Candil brilha no São João da ALEMS
Criação mistura referências do boi-bumbá, palhaços de rodeio, agro e sul-mato-grossense
A fantasia do ator Pepa Quadrini, de um peão toureiro, não conseguiu passar batida por quem foi pular o São João no estacionamento da ALEMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), neste sábado (27). Inspirada na tradicional festa do Touro Candil e boi-bumbá (da região norte do país), a fantasia chamou atenção. Com núcleos vibrantes, estrutura tridimensional e referências ao universo rural, a criação virou uma das atrações do evento.
Fantasia inspirada no Touro Candil e no boi-bumbá chamou atenção no São João da ALEMS, em Campo Grande, neste sábado (27). Criada por Luciana Kreutzer e pelo artista visual Joni Lima, uma peça foi vestida pelo ator Pepa Quadrini e umas referências do agro sul-mato-grossense com elementos do Norte e Nordeste do Brasil. A estrutura, feita com canos de PVC, levou dois meses para ser concluída e três anos de planejamento.
Na cultura paraguaia e também na região de fronteira de Mato Grosso do Sul, especialmente em Porto Murtinho, o Touro Candil é uma manifestação marcada pela figura de um tour cenográfico, geralmente associada ao fogo, à música, à dança e à brincadeira popular.
A proposta foi criar uma fantasia que dialogasse com referências tradicionais do Norte e do Nordeste, mas com uma leitura mais próxima da identidade regional daqui. A saia remete à imagem do pasto, enquanto as cores buscam lembrar os tons do pôr do sol. A ideia de dar vida ao boi demorou três anos até sair do papel.
A intenção também era aproximar o personagem do imaginário sul-mato-grossense. Por isso, a fantasia traz elementos ligados ao agro, ao rodeio e ao “Brasil profundo”, explica a multiartista e uma das criadoras da peça, Luciana Kreutzer. A estrutura também foi feita em parceria com a artista visual Joni Lima.
Outro ponto pensado desde o início foi uma homenagem aos palhaços de rodeio. Para Luciana, eles são personagens centrais nesse universo. “Eles não são só artistas, são artistas salva-vidas. Permeiam esse cenário como grandes heróis e muitas vezes anônimos”, destacou.

A fantasia também se diferencia pela estrutura. O boi foi criado para ser desmontado, transportado e remontado com mais facilidade. A base é feita com canos de PVC, material escolhido para permitir leveza e mobilidade.
Joni Lima, artista visual com quase 20 anos de atuação, contou que sua função foi transformar a ideia em estrutura física. “A Luciana traz as ideias, esse contexto todo, e eu penso em como mecanizar isso, fazer funcionar a estrutura, principalmente essa coisa da tridimensionalidade”, afirmou.
Segundo ele, o processo de criação levou cerca de 2 meses, entre estudos, testes e montagem. A produção e a costura foram feitas principalmente pelos dois, com apoio pontual de outros profissionais em etapas específicas.
Pepa Quadrini, que deu vida ao boizinho durante uma festa, conta que começou na vida cênica como malabarista, depois passou pelo teatro e, mais tarde, foi convidada para atuar em festas e eventos. “Fui convidado para dar vida a esse boizinho maravilhoso. Fico feliz que muita gente gostou”.


