Cassinos no celular: padrões obscuros que viciam
Psiquiatra do Ambulatório de Jogo da USP destaca “padrões obscuros” na estética dos jogos
A exemplo dos antigos cassinos físicos, que estão proibidos no Brasil há 20 anos, o cassino no celular se vale de recursos para prender as pessoas no jogo. Se o ambiente da jogatina tinha aspectos recreativos e seguros, o cassino de mão também se vale de recursos estéticos, com imagens vibrantes e coloridas. São os chamados padrões obscuros.
Cassinos virtuais utilizam padrões de design com cores vibrantes e imagens atrativas para prender usuários no jogo, segundo o psiquiatra Vinícius Andrade, da USP e do Hospital Sírio Libanês. O especialista alerta que o comportamento se torna transtorno quando causa prejuízos sociais, emocionais e financeiros. O Brasil, já considerado mercado promissor em 2019, viu o problema crescer com apostas esportivas que exploram a paixão pelo futebol.
De acordo com o psiquiatra Vinícius Andrade, supervisor e doutorando do Ambulatório de Jogo da USP (Universidade de São Paulo), o conceito de padrões que gera maior recompensa é intuitivo.
“Quando faço e dá certo, eu começo a repetir e replicar. Com o advento da tecnologia, começa a fazer isso de forma mais massiva. Tenho um padrão que gera mais ganho, vou replicar e aprimorar cada vez mais. Aí ambos os padrões de design. Existem padrões positivos, que vão levar você a ter um melhor comportamento. Mas muitas vezes é usado de forma mais negativa. Com objetivo de ter maior ganho da empresa, sem muito se preocupar com a saúde aquele indivíduo. A gente vê desde padrões de tamanho de letras até núcleos mais atrativos para aquele indivíduo que procura”, diz Vinícius.
A psiquiatra é coordenadora do núcleo de dependências comportamentais do Hospital Sírio-Libanês e secretária da Comissão de Adições da Sociedade Brasileira de Psiquiatria. Vinícius veio a Campo Grande para a “Semana de Políticas Públicas e Prevenção às Drogas”, realizada pelo Cead (Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas).
Além de jogos como “tigrinho” e “aviãozinho”, as apostas esportivas se valem da paixão pelo futebol e da cultura do brasileiro, aquele que não desiste nunca também não titubeia em fazer mais e mais apostas em busca da vitória nas apostas. Em 2019, antes da disseminação do mercado de apostas no celular, o Brasil já era visto pelo mercado como “gigante adornado”.
O especialista destaca que um comportamento se torna um transtorno quando passa a causar prejuízos significativos na vida da pessoa, afetando áreas como social, emocional e financeira.
“Uma pessoa não consegue parar. Ela vai voltar a esse comportamento para fugir de uma dor ou em busca de um prazer. Apesar das consequências, como dívidas enormes que a gente vê nas apostas, ela continua com aquele comportamento compulsivo”.
A psiquiatra ressalta que a prevenção é o melhor caminho para enfrentar as dependências comportamentais.
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