Cocaína líquida em madeira: a sofisticação da maior compreensão do Brasil
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Cocaína líquida em madeira: a sofisticação da maior compreensão do Brasil

Droga teria sido impregnada na madeira para escapar da fiscalização; quantidade ainda depende de perícia

Suspeita de apreensão histórica revela cocaína líquida usada como selante
Craga de droga apreendida (Foto: Divulgação)

A possível maior apreensão de cocaína da história do Brasil pode esconder uma sofisticação que vai além do volume investigado. Segundo a Receita Federal, uma droga encontrada em cargas de madeira retida durante a Operação Timber Shield (Escudo de Madeira) pode ter sido aplicada em estado líquido e impregnada no material como uma espécie de selante, dificultando não apenas a detecção, mas também a definição da quantidade transportada.

A Receita Federal investiga uma possível maior apreensão de cocaína da história do Brasil, com estimativas entre 20 e 50 toneladas. A droga pode ter sido aplicada em estado líquido e impregnada na madeira como selante, dificultando a detecção. A Operação Timber Shield reteve oito caminhões com 260 toneladas de carga em Corumbá e Cáceres, fruto da cooperação entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia. Exames laboratoriais definitivos ainda estão em andamento.

A informação foi confirmada ao Notícias Campo Grande pela delegada da Receita Federal Alice Assis, que acompanha o caso. Por enquanto, os testes realizados indicaram a presença de entorpecentes, mas os exames conclusivos ainda estão em andamento.

“Foram feitos testes preliminares e foi constatada a presença de entorpecentes. Mas ainda estão sendo feitos os testes conclusivos para confirmar a presença da droga. Como se trata de um volume muito grande, o teste preliminar com reagente é feito, mas é necessário o teste conclusivo. Esse teste é mais sofisticado, feito em laboratório”, explicou.

Suspeita de apreensão histórica revela cocaína líquida usada como selante
Rastros do selecionado líquido, que pode se tratar de cocaína (Foto: Divulgação)

A operação internacional resultou na retenção de oito caminhões carregados com madeira, sendo quatro em Corumbá e outros quatro em Cáceres (MT). Ao todo, cerca de 260 toneladas de carga permaneceram sob fiscalização das autoridades brasileiras após informações de inteligência compartilhadas entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia.

O detalhe que mais chamou a atenção dos investigadores é justamente a forma de ocultação utilizada pela organização criminosa.

“Sobre a droga na madeira, a suspeita é que seja cocaína líquida. Então ela fica impregnada na madeira como se fosse um selante”, afirmou Alice Assis.

Na prática, a suspeita é que a cocaína tenha sido dissolvida e incorporada ao carregamento durante algum processo semelhante ao tratamento da madeira. O método já foi identificado em percepções internacionais e consiste em mistura a substância a líquidos ou solventes para que ela seja absorvida pelo material transportado.

Suspeita de apreensão histórica revela cocaína líquida usada como selante
Carga de madeira apreendida na região da fronteira (Foto: Divulgação)

O objetivo é fazer com que a droga deixe de aparecer na forma tradicional, como pó ou comprimidos, passando a integrar a própria carga. Ao esconder a cocaína dentro da madeira, o esquema investigado sugere que a substância tenha sido embutida na estrutura do material.

Depois de chegar ao destino, cargas preparadas dessa forma podem passar por processos químicos capazes de separação novamente a droga do material utilizado para o transporte, permitindo sua recuperação para comercialização.

É justamente essa característica que torna a investigação mais complexa. Diferentemente de uma compreensão convencional, em que os comprimidos estejam localizados e pesados ​​imediatamente, a Polícia Federal deverá verificar a presença da substância e realizar procedimentos técnicos para extraí-la antes de determinar quanto entorpecente existe com efeito na carga.

Por isso, apesar da repercussão internacional da operação, ainda não há uma quantidade oficial de droga apreendida.

As estimativas divulgadas até agora têm como base ocorrências anteriores relacionadas ao mesmo método de ocultação. Segundo a Receita Federal, entre 10% e 20% do peso total da carga pode corresponder à substância ilícita.

Se essa declaração for confirmada após os exames periciais, o volume poderá variar entre 20 e 50 toneladas de cocaína, quantidade suficiente para causar a ocorrência entre as maiores já registradas no país.

Enquanto os laudos laboratoriais não ficam prontos, a investigação segue sob responsabilidade da Polícia Federal, que fará a perícia definitiva e manterá a custódia do material apreendido. A Aduana Nacional da Bolívia acompanha os procedimentos dentro do acordo de cooperação internacional firmado entre os países envolvidos na operação.

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