Crise no Frigorífico Balbino mobiliza Sidrolândia (MS)
Empregados relatam expectativa pela preservação de riscos e prefeitura acompanha recuperação judicial
A paralisação das atividades do Frigorífico Balbino, em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande, continua mobilizando trabalhadores, produtores rurais, empresários e o poder público municipal. No meio do processo de recuperação judicial da empresa e no impasse envolvendo recursos financeiros fundamentais para a retomada da produção, aumenta a expectativa entre os funcionários pela reabertura da unidade e pela preservação dos investimentos.
A paralisação do Frigorífico Balbino, em Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande, preocupa trabalhadores e o poder público. Em processo de recuperação judicial, a unidade tem centenas de famílias dependentes. O prefeito Rodrigo Basso afirma que o impacto ainda é limitado, pois poucos funcionários foram dispensados, mas registrou os riscos de uma paralisação prolongada. A previsão é retomar o abate em julho.
Após a repercussão da discussão envolvendo a retenção de recebíveis que historicamente abasteciam o capital de giro da empresa, colaboradores que acompanham diariamente a situação da indústria relatam que a principal preocupação não é apenas a insegurança gerada pela paralisação, mas sobretudo na necessidade de ver o frigorífico voltar a operar.
Há sete anos na empresa, a analista de Recursos Humanos Luciane Portz, de 50 anos, afirma que o clima entre os trabalhadores é de preocupação, mas também de esperança.
“É claro que existe preocupação, porque estamos falando de centenas de famílias que dependem dessa atividade. A insegurança existe, principalmente em relação ao futuro, mas a maior preocupação dos colaboradores hoje é ver a empresa voltar a funcionar”, afirma.
Segundo ela, a dimensão social do frigorífico é percebida diariamente dentro da própria empresa. “A gente convive diariamente com os funcionários e sabe que por trás de cada matrícula existe uma família, filhos, contas e responsabilidades. O sentimento predominante hoje é de esperança de que a empresa consiga retomar suas atividades e preservar os empregos”, destaca.
Luciane ressalta que a unidade tem papel importante na economia local e na vida de centenas de trabalhadores. “Acho que qualquer pessoa teria essa preocupação. Mas o que a gente mais deseja é voltar à normalidade. O frigorífico sempre teve uma importância muito grande para a cidade e para centenas de famílias”, completa.
No setor financeiro, a percepção é semelhante. Funcionário da empresa desde janeiro de 2017, Roger Allan acompanha, 57 anos, de perto os desdobramentos da recuperação judicial e acredita que a retomada das operações é fundamental para todos os envolvidos.
“Evidentemente existe preocupação, porque quando uma operação como esta fica parada por tanto tempo isso gera insegurança para todos. Mas acredito que a maior preocupação de todos os colaboradores é que a empresa volte a operar”, afirma.
Para ele, a continuidade da atividade produtiva é o caminho para que uma empresa consiga superar as dificuldades atuais. “Porque a empresa em funcionamento gera receita, movimenta a economia e cria condições para honrar seus compromissos. Sabemos da importância dessa atividade para a cidade de Sidrolândia e para as centenas de famílias que dependem direta ou indiretamente da empresa. Por isso gera uma expectativa muito grande pela retomada das operações.”
Roger destaca ainda o histórico da companhia no relacionamento com os funcionários. “Existe preocupação, naturalmente. Mas acima de tudo existe a expectativa de que a empresa consiga voltar a operar, porque é uma atividade funcional que permitirá preservar os empregos, fomentar a economia e cumprir seus compromissos, até porque historicamente sempre honrou seus compromissos. Sempre pagou nossos exercícios em dia. Torcemos e contribuiremos em tudo para que voltem as operações e preservem as famílias.”
Prefeitura acompanha situação – A preocupação também é compartilhada pela administração municipal. O prefeito de Sidrolândia, Rodrigo Basso (PL), afirma que o impacto econômico ainda é limitado porque a maior parte dos trabalhadores permanece vinculada à empresa, mas regular que uma paralisação prolongada pode gerar consequências graves para o município.
“O impacto, a princípio, está sendo pouco, porque ele fez a paralisação, entrou com o pedido do STJ, mas ainda não dispensou poucos funcionários, a maioria continua contratada, alguns estão em férias coletivas. Se continuar nessa paralisação temporária e retirar o abate o mais rápido possível, ainda não chega a afetar a economia do município. Mas é preocupante, porque a gente tem muitas variações dele”, afirma.
Segundo o prefeito, a aquisição de centenas de trabalhadores pelo mercado local não seria uma tarefa simples caso a unidade encerrasse definitivamente as atividades.
“Você falou de absorver a mão de obra, é bastante trabalho, não vai ser atendido de um dia para o outro. Então é uma situação preocupante. O município está atento, mas ao mesmo tempo a gente está fazendo o possível para ajudar, colaborar e dialogar tanto com o proprietário quanto com alguns investidores que também têm interesse em parceria com ele para auxiliar nesse processo de recuperação judicial.”
Basso afirma que a prefeitura funciona com a perspectiva de manutenção das atividades e até mesmo de expansão futura da operação.
“A gente trabalha com a confiança que não vai ter o fechamento da unidade, mas sim uma adequação, algum outro investidor entra em parceria para continuar com o abate e, às vezes, até ampliar esse abate, abrindo a sessão de desossa, que até hoje não foi aberta, o que abriria mais empregos.”
O prefeito também destacou investimentos em infraestrutura que podem contribuir para aumentar a competitividade da unidade e atrair novos parceiros.
“A parte do asfalto, que era uma demanda antiga, o acesso e um acesso para a rodovia também, o anel viário, já está em fase de licitação. A partir do segundo semestre, no final do ano, já vai estar em obras. Dentro de um ano, um ano e meio, vai estar tudo pronto.”
Segundo ele, a melhoria logística faz parte da estratégia para fortalecer o ambiente de negócios no entorno do frigorífico.
“Vamos deixar o acesso todo pronto. Isso vai melhorar o trânsito, melhorar a logística do frigorífico. A tendência é atrair também mais investimento e mais parceiros para tocar esse negócio.”
Embora demonstre confiança na recuperação da empresa, Rodrigo Basso permitiu que um eventual encerramento das atividades teria reflexos profundos para Sidrolândia e para a economia estadual.
“Com certeza, em caso de fechamento, vai impactar muito na economia do município e do estado também. Geração de imposto, de receita, não só para o município, mas para o estado. Não é interessante para ninguém o fechamento da unidade. Vamos trabalhar para tentar deixá-la funcionando.”
O prefeito também revelou que mantém diálogo constante com os proprietários da empresa e acompanha as perspectivas de retomada.
“Os proprietários estão em diálogo constante com as pessoas, trabalhando sem parar para manutenção do abate, para retornar o mais rápido possível. Tem perspectiva de retornar esse abate a partir do mês que vem de novo. Ficou alguns dias paralisado, retornou no mês passado. Este mês precisou paralisar novamente, mas com previsão de retornar o abate agora no mês de julho.”

