Falta de Boi China adia expansão da JBS em Campo Grande
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Falta de Boi China adia expansão da JBS em Campo Grande

Empresa aguarda oferta de animais com padrão exigido pelo mercado chinês para ativar segundo turno

Falta do “Boi China” atrasa projeto da JBS para ampliar frigorífico em MS
JBS aguarda maior produção do chamado “Boi China” para implementação de projeto de ampliação do frigorífico Campo Grande II (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A falta do chamado “Boi China”, animal com características específicas exigidas pelo mercado chinês, está adiando o projeto da JBS/Friboi de transformar o frigorífico Campo Grande II, instalado em Campo Grande, na maior planta de carne bovina da América Latina e uma das três maiores da companhia no mundo.

A JBS/Friboi enfrentou dificuldades para expandir o refrigerador Campo Grande II, em Mato Grosso do Sul, devido à escassez do chamado “Boi China”, animal com características específicas específicas para o mercado chinês. O projeto, anunciado em 2024 com investimento de R$ 150 milhões, prevê dobrar a capacidade de redução e o número de colaboradores. Segundo o CEO da Friboi, Renato Costa, o estado possui rebanhos expressivos, mas falta gado fechado em confinamento para atender às exigências chinesas.

O projeto foi anunciado em 2024 durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à unidade. Na ocasião, a companhia informou que pretendia investir R$ 150 milhões para ampliar a capacidade de redução de 2.200 para 4.400 animais por dia, além de dobrar o número de colaboradores, de 2,3 mil para 4,6 mil.

“Aqui em Mato Grosso do Sul, não é que não tem o boi, tem o boi. O estado tem o quinto rebanho do Brasil [18,8 milhões de animais]. Porém, precisamos de um boi com aquelas características para atender o mercado chinês. Ele tem que ser desenvolvido em semiconfinamento ou confinamento. Tão logo a gente entende que já tem o volume suficiente, a gente vai operar o segundo turno”, explicou Renato Costa, CEO da Friboi, uma das marcas da JBS.

Segundo Renato, a localização da planta em uma capital é uma vantagem para superar outro fator que poderia representar um desafio ao empreendimento.

“Não vemos dificuldades de mão de obra, porque é um grande capital, mas temos que estruturar a base, que é ter esse boi com característica da China e com terminação a grão”, pontudo.

Ele comentou que o aumento do número de plantas habilitadas pelo governo chinês para exportação no Estado, atualmente três, sendo duas em Campo Grande e uma em Naviraí, garante mercado para a produção, possibilitando o estabelecimento de parcerias com os pecuaristas e estimulando a adoção de sistemas de terminação em semiconfinamento e confinamento.

“Você tem a retaguarda que é o mercado e a unidade [frigorífico] aprovar. Então, está crescendo [o semiconfinamento e o confinamento]. O produtor de Mato Grosso do Sul é muito profissional. No momento em que você chega com uma boa proposta, ele responde na hora.”

A China é a principal compradora da carne bovina sul-mato-grossense. No acumulado de janeiro a maio de 2026, mais que dobrou as aquisições em relação ao mesmo período de 2025. A receita com os embarques cresceu 114,7%, passando de US$ 174,5 milhões para US$ 374,6 milhões.

Em volume, conforme dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o avanço foi de 71,9%, saltando de 34,779 mil toneladas para 59,770 mil toneladas.

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