Família escocesa-brasileira de dois países na Copa do Mundo
Mãe e filhos nascidos na Escócia, ao lado do pai brasileiro, transformam a Copa do Mundo em encontro de culturas

O clima frio e chuvoso desta quarta-feira (24) deixou Campo Grande um pouco mais parecido com a Escócia. No Bairro Carandá Bosque, uma família de origem escocesa vai reunir cerca de 40 convidados com churrasco e uísque para acompanhar o confronto entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo.
Família de origem escocesa radicada em Campo Grande reúne cerca de 40 convidados para assistir ao jogo entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo. O professor José Francisco Vianna conheceu a escocesa Margaret em Glasgow há mais de três décadas. O evento repete a festa feita em 1998, quando as escolhas se enfrentaram na abertura da Copa da França. O cardápio mistura churrasco brasileiro com uísque escocês.
Na residência, as bandeiras dos dois países dividem espaço na área do churrasco. Por causa da chuva, parte da decoração precisou ser retirada, mas os principais símbolos foram mantidos para a confraternização, que terá convidado todos os brasileiros durante a partida marcada para as 18h (horário de Mato Grosso do Sul).
A reunião reúne duas culturas que se cruzaram há mais de três décadas, quando o professor de química José Francisco Vianna, de 74 anos, foi para Glasgow fazer doutorado e acabou encontrando muito mais do que um título acadêmico. Foi lá que conheceu a professora de inglês Margaret McAteer Vianna, de 68 anos. O encontro aconteceu em um navio e mudou os rumores da vida dos dois.
Com bom humor, José Francisco costuma brincar que a universidade pediu apenas um diploma, mas ele voltou para o Brasil com três. “A universidade pediu para eu trazer um diploma, mas eu trouxe três: o da faculdadea esposa e o filho Enrique”, conta, aos risos.

O casal já viveu uma situação semelhante à de hoje. Em 1998, quando Brasil e Escócia se enfrentaram na abertura da Copa do Mundo da França, a família também especificava uma confraternização para assistir ao jogo. “Logo que a gente veio para cá. A gente fez uma festa do mesmo jeito, só não era aqui nessa casa”, recorda José Francisco. Naquela ocasião, a Seleção Brasileira venceu por 2 a 1 no Stade de France. Apesar do triunfo, o Brasil terminou a disputa como vice-campeão após perder a final para a França por 3 a 0.
Após décadas vivendo em Campo Grande, Margaret afirma que já não consegue escolher apenas um país para chamar de seu. Questionada se se sente mais escocesa ou brasileira, responda sem hesitar: metade de cada. “Eu me sinto em casa. Tenho muitos amigos, muitas pessoas boas, a natureza aqui é incrível. Eu não tenho nada para reclamação. Eu amo o Brasil porque é importantíssimo para mim. Nossa filha caçula nasceu aqui. São países importantíssimos para mim. São dois países maravilhosos”, afirma.
A adaptação não foi imediata. “Foi bem difícil no começo, principalmente por causa da comida e da cultura”, lembra. A filha mais nova do casal nasceu no Brasil, mas atualmente mora na Holanda.
O filho mais velho de José e Margaret, o funcionário público Enrique Vianna, de 34 anos, nasceu na Escócia e chegou ao Brasil quando tinha apenas um ano e seis meses. Mais tarde, retornou ao país europeu para cursar o terceiro ano do ensino médio. Para ele, o futebol é uma das principais conexões entre brasileiros e escoceses.
“Uma coisa que é muito o Brasil e a Escócia é o futebol. É uma cultura muito distinta para o futebol. Eles têm muito respeito pelo Brasil, pela história que o Brasil tem, como a seleção que mais ganhou Copas do Mundo”, comenta.
Segundo Enrique, as escoceses enfrentam o Mundial de forma apaixonada, mesmo sem o favoritismo tradicional das grandes potências. “A Escócia sabe que está ali para participar, para fazer o melhor, para dar o máximo, para fazer a festa. O Brasil vai ter que cantar mais para mostrar que está ali. A Copa do Mundo é isso: se reunir e se divertir. Não tem mistério.”
Na hora da partida, ele admitiu que o coração ficou dividido. “Vou comemorar se o Brasil fazer gol e vou comemorar se a Escócia fazer gol”, contornou. Apesar do carinho pelos dois lados, Enrique arrisca um placar de 2 a 1 para a Seleção Brasileira.
Churrasco, cerveja e uísque – Se dentro de campo o duelo é entre Brasil e Escócia, fora dele a mistura cultural também aparece no cardápio. O churrasco servido aos convidados terá acompanhamentos tipicamente brasileiros, como vinagrete e mandioca. Para beber, não faltarão cerveja e uísque, uma homenagem às tradições escocesas. A fama dos escoceses como apreciadores de cerveja, aliás, é confirmada pela família. O hábito faz parte da cultura local, assim como a tradição centenária da produção de uísque.
Entre risadas, eles explicaram que, se uma confraternização acontecesse na Escócia, o menu seria bem diferente. “Lá provavelmente teria batata frita e muita cerveja”, brincam.
Jogo vale liderança – Brasil e Escócia entram em campo nesta quarta-feira precisando de um bom resultado para alcançar seus objetivos no Grupo C. A Seleção Brasileira busca a vitória para confirmar a classificação ao mata-mata na liderança da chave.
A Escócia, com três pontos, ainda sonha com uma colocação melhor e pode terminar a fase de grupos até mesmo na primeira posição. Os escoceses estrearam com vitória por 1 a 0 sobre o Haiti e depois foram derrotados por Marrocos pelo mesmo placar.

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