Filho perdoa pai no júri por morte da mãe: ‘Não o condeno’
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Filho perdoa pai no júri por morte da mãe: ‘Não o condeno’

“Eu não condeno ele”, diz filho em julgamento por morte de Jussara
Douglas Aparecido durante seu depoimento no Tribunal do Júri (Foto: Geniffer Valeriano)

“Eu não condeno ele”, disse o filho de Jussara Gimenez Pereira dos Santos em depoimento no julgamento do pai de investigação, acusado pela morte da mulher. Jussara morreu após ser atingida por um tiro de arma de fogo na tarde de 26 de setembro de 2024.

O filho de Jussara Gimenez Pereira dos Santos afirmou, durante o Tribunal do Júri realizado nesta terça-feira (16), não condenar o pai de consideração, Alfredo Netto, acusado de feminicídio pela morte da mãe em setembro de 2024. O réu alegou que o disparo foi acidental e que Jussara soltou a arma. Alfredo é portador de Parkinson e a defesa sustenta que ele pretendia suicidar-se no momento do ocorrido.

O Tribunal do Júri ocorre nesta terça-feira (16), sob a presidência do juiz de Direito Carlos Alberto Garcete, do 1º Tribunal do Júri. O réu, Alfredo Netto, responde por feminicídio e porta ilegal de arma de fogo. A fica defesa a carga do advogado Willer Souza Alves de Almeida. A acusação fica a cargo do promotor José Arturo Iunes Bobadilla.

O primeiro a ser ouvido nesta manhã foi o filho mais velho da vítima, Douglas Aparecido. Durante o depoimento, ele explicou que é filho biológico apenas de Jussara e passou a ser criado por Alfredo a partir dos 12 anos. No entanto, ele considera o réu como seu pai.

“Essa pessoa que vocês estão vendendo [o réu] é quem me criou. Eu seria a pessoa mais aborrecida do mundo com a situação e eu não o condeno, porque eu sei o homem que ele foi para a minha mãe e sei o pai que ele foi para mim, eu sei quem ele é”, afirmaram aos jurados.

Durante os quase 40 minutos de depoimento, Douglas detalhou o relacionamento do casal. Segundo ele, os dois levaram uma vida comum, descrevendo a mãe como explosiva e o pai de consideração como calmo e controlado.

“Eles eram assim, 90% Jussara e 10% Alfredo, ela comandava o casamento. Hoje eu sou o mais prejudicado, sou órfão de pai e mãe”, disse. Em outro momento, afirmou que o ocorrido com a mãe “foi uma fatalidade”.

“Eu não condeno ele”, diz filho em julgamento por morte de Jussara
Durante o depoimento do filho da vitíma, Alfredo ficou de cabeça baixa (Foto: Geniffer Valeriano)

Douglas também relatou que o desejo de ter uma arma em casa parte da mãe, mas afirmou não saber como ou quando ela foi adquirida. No dia do disparo, ele contou que foi avisado pelo pai por telefone. “Meu filho, me ajude, aconteceu um acidente. Perguntei que acidente”, lembrou.

Durante o depoimento, Douglas falou ainda sobre problemas de saúde fazer casal. Segundo ele, Jussara tinha glaucoma degenerativo das córneas, possuía visão parcial e dirigia mesmo sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Já Alfredo é portador de Parkinson desde os 42 anos e tem dificuldade de locomoção.

Outro ponto abordado no julgamento foi a depressão do réu. Conforme relatado, ele teria dito que carregava a arma no dia para pretender cometer suicídio. Alfredo, no entanto, afirmou ao juiz que saiu de casa com a arma para proteger filhos e netos, já que o casal viajaria para uma cidade do interior. Segundo ele, ao longo da trajetória, mudou de ideia e pensou em atentar contra a própria vida.

“Conversando com ela eu disse que estava descontente com a minha vida, não aguentava mais sofrer, todo dia tomando remédio. Eu falei para ela me deixar lá que eu vou ficar esperando e você volta para casa. Falei que ficaria com a arma, parei o carro e ela pulou na minha frente, deixada para o lado dela e disparou a arma”, afirmou.

O disparo é tratado como acidental pela defesa. Alfredo relatou que, após o ocorrido, ficou “desesperado” e “sem saber o que fazer”, percorrendo cerca de cinco minutos antes de retornar e seguir em direção ao hospital. Questionado pelo promotor sobre como tinha certeza de que o disparo havia sido feito por Jussara, respondeu: “porque não fui eu”.

Durante o interrogatório, o réu chorou. Em determinado momento, o juiz Carlos Garcete pediu que ele interrompesse o depoimento. “Vamos continuar e que seja o que Deus quiser”, respondeu.

A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a conexão pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a polícia pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada.

Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.

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