Fundação Chapadão: 29 anos de pesquisa e inovação no agro

Há quase três décadas, uma instituição criada por produtores rurais para enfrentar uma ameaça silenciosa às atividades de soja ajuda a transformar a realidade agrícola do norte de Mato Grosso do Sul. Prestes a completar 29 anos de atuação, a Fundação Chapadão se consolida como uma das principais referências na pesquisa agropecuária do Estado e agora amplia sua atuação para responder aos novos desafios do campo, que vão da inteligência artificial às mudanças climáticas.

A Fundação Chapadão, que completa 29 anos de atuação no norte de Mato Grosso do Sul, consolida-se como referência em pesquisa agropecuária e agora amplia sua atuação para enfrentar desafios como inteligência artificial e mudanças climáticas. A instituição impacta mais de 600 mil hectares cultivados em municípios como Chapadão do Sul e Costa Rica, com foco em soja, milho e algodão, e conta com investimentos estaduais que chegaram a R$ 3,7 milhões na safra 2024/2025.

O que começou nos anos 1990 como uma iniciativa para combater os prejuízos causados ​​pelos nematoides evoluiu para uma estrutura científica que atende uma extensa área produtiva do Estado, desenvolvendo pesquisas voltadas ao aumento da produtividade, sustentabilidade e competitividade das principais cadeias agrícolas sul-mato-grossenses.

Atualmente, a Fundação atua em municípios como Chapadão do Sul, Costa Rica, Paraíso das Águas, Alcinópolis, Cassilândia, Paranaíba, Coxim e Sonora, impactando diretamente mais de 600 mil hectares cultivados. O foco principal permanece nas culturas que sustentam a economia agrícola da região: soja, milho e algodão.

Para o presidente da instituição, Ilton Henrichsen, as características climáticas do norte de Mato Grosso do Sul favorecem as consolidação dessas atividades, tornando a região uma das mais benéficas para a produção de grãos no País.

“A soja e o milho estão muito consolidados em nossa região. Por isso, as pesquisas continuamão focadas no desenvolvimento de novas cultivares, no aumento da produtividade e em soluções para os desafios que surgem a cada safra”, afirma.

Ao mesmo temponovas fronteiras produtivas começam a ganhar espaço nas agendas dos pesquisadores. A expansão da cana-de-açúcar em áreas consideradas menos aptas para grãos e o avanço dos citros em municípios como Cassilândia e Paranaíba já despertam interesse crescente da comunidade científica.

Da luta contra nematóides no laboratório de alta tecnologia

Segundo o diretor-executivo da Fundação Chapadão, André Bartolomeu Piesanti, a instituição nasceu de uma necessidade prática dos agricultores. Na época, o avanço dos nematóides colocava em risco as previsões econômicas das atividades de soja da região.

Hoje, a realidade é bem diferente. A Fundação conta com sete pesquisadores e laboratórios especializados em fitopatologia, entomologia, nematologia, herbologia, genética, análise de sementes e fertilidade do solo. Os estudos abrangem desde o controle biológico de previsões até a validação de novas cultivares e tecnologias para mitigar os impactos climáticos sobre as atividades.

Uma das principais missões dos pesquisadores é avaliar, em condições regionais, as variedades que chegam ao mercado. O objetivo é identificar quais materiais apresentam melhor desempenho diante do clima, do solo e das doenças presentes em Mato Grosso do Sul.

“Não avaliamos apenas a produtividade. Estudamos o comportamento da planta, sua adaptação às diferentes regiões e sua resposta às condições climáticas para garantir maior segurança ao produtor”, explica o engenheiro agrônomo Fábio Lima Abrantes, responsável pela área de genética da instituição.

Inteligência artificial chega aos trabalhos

Se a genética segue como um dos pilares da pesquisa agropecuária, a inteligência artificial desponta como a próxima revolução tecnológica no campo.

Segundo Piesanti, a tecnologia já está presente em diversas etapas da produção agrícola, desde o monitoramento de trabalhos e a mecanização até a interpretação de grandes volumes de dados gerados pelas propriedades rurais. A expectativa é que, nos próximos anos, a IA também transforme profundamente os processos de pesquisa científica.

“A inteligência artificial veio para ficar. O grande diferencial é a capacidade de transformar um enorme volume de dados em informações úteis para a tomada de decisão do produtor”, afirma.

Na linha, Abrantes destaca que a mesma tecnologia já permite análises mais rápidas e precisas de imagens de satélite, informações climáticas e históricas produtivas, auxiliando na previsão de produtividade e na identificação antecipada de riscos para as atividades.

Ciência para produzir mais e com sustentabilidade

Além do ganho de produtividade, a sustentabilidade tornou-se um dos eixos centrais das pesquisas desenvolvidas pela Fundação Chapadão. A crescente exigência dos mercados internacionais de rastreabilidade e comprovação de boas práticas ambientais vem moldando uma nova geração de tecnologias para o campo.

No caso do algodão, por exemplo, já é possível identificar a origem exata da produção, desde a fazenda até o lote colhido, uma exigência cada vez mais valorizada pelos compradores internacionais.

Outro desafio é reduzir a dependência brasileira de insumos importados, especialmente fertilizantes e materiais primários utilizados na fabricação de defensivos agrícolas. Para os pesquisadores, encontrar alternativas nacionais tornou-se uma questão estratégica para garantir a competitividade do setor diante das oscilações geopolíticas e econômicas globais.

Investimentos fortalecem inovação no agro

A manutenção dessa estrutura científica depende de investimentos permanentes. Segundo a Fundação Chapadão, os recursos estaduais têm sido fundamentais para custear experimentos, aquisição de insumos e manutenção das pesquisas de campo.

Os esportes estaduais prevêem cerca de R$ 2,5 milhões por safra nos anos de 2023 e 2024, aumentados para R$ 3,7 milhões no ciclo 2024/2025 e devem atingir aproximadamente R$ 2,7 milhões na safra 2026/2027.

Para o diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect), Cristiano Marcelo Espínola Carvalho, os resultados demonstram que o Estado construiu uma base sólida de validação tecnológica capaz de oferecer mais segurança aos produtores na adoção de novas ferramentas e cultivares.

Em um cenário de mudanças climáticas, novas exigências de mercado e crescente digitalização da produção rural, a avaliação dos pesquisadores é que o papel da ciência no campo tende a se tornar ainda mais estratégico. E, no norte de Mato Grosso do Sul, a Fundação Chapadão pretende continuar sendo uma das pontes entre o laboratório e a laboração, transformando conhecimento em produtividade e inovação para o agro sul-mato-grossense.

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