Imprensa e feminicídio: como a mídia pode proteger vítimas
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Imprensa e feminicídio: como a mídia pode proteger vítimas

Delegado do DF atribuído à imprensa e à sociedade, em especial aos homens, papel essencial para mudar a cultura

O modo como a imprensa noticia a violência doméstica, influência diretamente o combate ao feminicídio. Segundo o delegado Marcelo Zago Gomes Ferreira, o uso de termos inadequados e a exposição da vítima devem ser evitados para não desencadear novos episódios. O Guia Comunicação que Protege orienta jornalistas a estimular denúncias e romper o ciclo de violência. Dados demonstram que a maioria das vítimas não possuía medidas protetivas, evidenciando a necessidade de conscientização.

A forma como a imprensa noticia a violência doméstica e os feminicídios pode contribuir para o agravamento dos crimes, mas também tem um fator determinante para ajudar a conscientizar as vítimas para denunciar e reduzir os casos, rompendo um ciclo. A análise é do delegado Marcelo Zago Gomes Ferreira, coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios do Distrito Federal, que veio a Campo Grande para falar sobre o tema para juízes e lançou um guia com orientações chamadas Comunicação que protege.

A exposição indevida da vítima e o uso de termos como crime passional são fatores que ele considera que precisam ser evitados. O delegado conta que se dedicou, com outros colegas que estudaram as descobertas, à elaboração do manual porque considera que os jornalistas podem ajudar as vítimas a se conscientizarem e a procurarem as autoridades, em especial para ampliar o acesso a medidas protetivas, uma vez que os números mostraram que a maior parte das mulheres assassinadas não tinha procurado a polícia, o que serve de alerta para a subnotificação, que pode superar 60% dos casos.

Porque tem que colocar uma foto dela com o batom vermelho? Da forma como é noticiado pode gerar gatilhos nas pessoas.”

Em longa entrevista ao Podcast Na Íntegrao delegado fez uma longa e aprofundada análise das características.

A imprensa, quando há culpabilização da vítima ou utilização de determinados termos, como crime passional, isso gera um fator de risco maior.”

Ferreira explica que, no Distrito Federal, em que a Câmara acompanha cada caso de feminicídio desde 2015, é possível um diagnóstico preciso que ajude as autoridades a definir ações e aprimorar procedimentos. Um exemplo relatado pelo delegado é a necessidade de formação especial para garantir o acolhimento às vítimas. Professor de uma escola de segurança pública, ele cita uma dinâmica que costuma aplicar aos policiais

Um ato de violência doméstica, sexual, envolvendo intimidação, essa mulher não tem que ser atendida no balcão da delegacia com outras pessoas ouvindo.”

Além de identificar que a imprensa tem um papel essencial para ampliar a visão das pessoas sobre o tema da violência doméstica, até conscientizando vítimas de situações iniciais ou de violência psicológica para uma ocorrência antes que o problema aumente, o especialista considera essencial que a sociedade se envolva e denuncie. “Segurança pública não é um problema apenas de segurança pública. Ela é um dever do estado e um direito e responsabilidade de todos”, analisa.

“Sempre que o vizinho está com sol alto, a pessoa liga para a polícia; agora, quando a mulher está apanhando ninguém liga.”

O delegado direcionou uma cobrança especial aos homens na necessidade de se posicionarem e fazerem cobrança em relação aos outros sobre a gravidade do assunto.

O Guia de Comunicação de Feminicídios no DF pode ser consultado clicando aqui.

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