Javalis em MS: painel mapeia 243 animais em 4 municípios
Painel localiza seis bandos em quatro municípios e apoia o combate à espécie invasora
Uma nova ferramenta de geotecnologia começou a dimensionar a invasão de javalis e javaporcos em Mato Grosso do Sul. Desenvolvido pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), com recursos do Fundems (Fundo de Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja) e em parceria com a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o painel transforma registros feitos em campo em inteligência territorial para monitorar a presença da espécie invasora.
Uma nova ferramenta da Aprosoja/MS, em parceria com a Semadesc e com recursos do Fundems, já mapeou 243 javalis e javaporcos em Mato Grosso do Sul, distribuídos em seis bandos em quatro municípios. O grupo maior está em Nioaque, com cerca de 60 animais. Os registros ajudam a orientar ações de monitoramento e controle, diante dos danos às atividades, ao meio ambiente e ao risco sanitário causado pela espécie invasora.
Os primeiros resultados já revelaram a dimensão do problema. O sistema de parcerias 243 javalis e javaporcos, distribuídos em seis bandos localizados em quatro municípios, permite mapear focos de ocorrência, acompanhar a dispersão dos animais e orientar ações de monitoramento, prevenção e controle nas áreas mais afetadas.
Considerada uma das principais espécies invasoras do país, o javali (Sus scrofa) representa riscos econômicos, ambientais e sanitários. Nas propriedades rurais, os bandos podem extrair sementes e plântulas, destruir culturas de soja e milho, revólver ou solo, danificar cercas e estruturas de captação de água. No ambiente natural, competem por alimentação e espaço com espécies nativas, como catetos e queixadas, além de favorecer processos erosivos e atuar como reservatórios de doenças que podem afetar a produção peculiar.
O painel transforma informações registradas em campo em inteligência territorial. A ferramenta reúne ocorrências georreferenciadas informadas por produtores rurais, colaboradores das propriedades, engenheiros agrônomos, médicos-veterinários, técnicos e gestores rurais, gerenciando a distribuição de javalis, javaporcos, porcos-do-mato, catetos e queixadas. Com essas informações, é possível identificar áreas críticas, monitorar a expansão das políticas e subsidiar ações de manejo.
Segunda atualização desta sexta-feira (26), o sistema registra seis bandos em Mato Grosso do Sul. O maior é de javaporcos, em Nioaque, com aproximadamente 60 animais, responsáveis por danos em cerca de 50 hectares de lavouras e pastagens.
Em Dourados, há dois registros de javalis. A primeira colheita é de cerca de 55 animais e causou prejuízo estimado em 3 mil sacas de milho, além de danos em aproximadamente 880 hectares. A segunda contabilização é de cerca de 40 animais, que afetaram outros 70 hectares de trabalho e pastagens.
O monitoramento acordo outro bando, com 43 javalis, em Antônio João, onde os animais causaram danos em uma área de aproximadamente 109 hectares, abrangendo desde APLICATIVOS (Áreas de Preservação Permanente) até culturas de milho.
Também foram identificados dois grupos em Sonora, um com aproximadamente 30 javalis e outro com cerca de 15 animais, reforçando que a dispersão da espécie já alcança diferentes regiões do Estado.

A Aprosoja/MS incentiva produtores e profissionais ligados ao campo a contribuirem com novos registros. Segundo a entidade, a participação dos usuários é fundamental para ampliar a base de dados e aprimorar as estratégias de monitoramento e controle.
“A ferramenta transforma informações coletadas diretamente no campo em uma base de inteligência territorial. A colaboração dos produtores e dos profissionais que acompanham a rotina das propriedades é essencial para identificar áreas críticas, acompanhar a evolução das ocorrências e apoiar ações mais eficientes de monitoramento, controle e prevenção.”
A analista de Geoprocessamento da Aprosoja/MS, Staël Caroline, explica que todos os registros passam por validação técnica antes de integrarem uma base de dados.
“Cada informação registrada pode trazer evidências importantes para ampliar a qualidade do monitoramento. Os dados serão auditados pela equipe técnica, com análise da consistência geográfica, da investigação das evidências e da identificação correta das espécies.”
Espécie invasora
Originário da Europa, Ásia e Norte da África, o javali (Sus escrofa) foi introduzido no Brasil e hoje é classificado como espécie exótica invasora. Os machos adultos medem entre 1,40 e 1,80 metro de comprimento, atingem até 1,10 metro de altura e podem pesar entre 50 e 250 quilos. O javaporco é o híbrido resultante do cruzamento entre javalis e suínos domésticos e pode atingir cerca de 2 metros de comprimento e até 270 quilos.
De elevada capacidade reprodutiva, hábitos onívoros e grande adaptação ao ambiente, javalis e javaporcos provocam impactos semelhantes sobre a biodiversidade, a agropecuária e a sanidade animal. Por isso, a legislação brasileira considera os javalis e todos os seus híbridos, espécies exóticas invasoras subjetivas nas ações de manejo e controle.

