MS reforça SUS contra calor e secas do El Niño
Estado integra estratégia nacional de adaptação às mudanças climáticas, com sete projetos selecionados
Mato Grosso do Sul é um dos estados que elaboram um Plano Estadual de Adaptação do Setor de Saúdealinhado ao AdaptaSUS, estratégia nacional voltada ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas no SUS (Sistema Único de Saúde). Nesta terça-feira (30), o Ministério da Saúde anunciou um pacote de medidas para ampliar a capacidade de resposta da rede pública aos efeitos do El Niño e de outros eventos climáticos extremos.
Mato Grosso do Sul integra o AdaptaSUS com um Plano Estadual de Adaptação do Setor de Saúde e sete projetos selecionados no PET-Saúde Clima. O Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035, com 27 metas e 93 ações para fortalecer o SUS frente a eventos climáticos extremos, incluindo oito bases regionais da Força Nacional do SUS e um painel de monitoramento de calor para os 5.570 municípios brasileiros.
Ao Estado, o meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Melquezedek Duarte, explica que os principais impactos do El Niño estão relacionados ao aumento das temperaturas e às secas. Embora o aspecto já esteja em atuação, os efeitos mais intensos devem ser sentidos a partir de cerca de dois meses, no fim do inverno.
“Geralmente, o impacto está mais ligado às secas. Em Mato Grosso do Sul, o El Niño não está diretamente ligado à diminuição das chuvas; isso é indireto. saúdeprincipalmente de quem trabalha na rua”, afirmou.
As ondas de calor extremo são um dos reflexos esperados do aspecto no Estado. Segundo Duarte, o Brasil passou recentemente por um El Niño classificado como muito forte e, para este ano, a previsão é de um episódio de forte intensidade.
“Além de ser um período mais seco, deve ter um aumento das temperaturas, um fator preocupante para a região”, destacou.

O pacote anunciado pelo Ministério da Saúde prevê investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035 e reúne 27 metas e 93 ações para fortalecer a resposta do SUS a eventos como ondas de calor, secas, incêndios e enchentes. Entre as medidas está a criação de oito bases regionais da Força Nacional do SUS, que permitirão o envio de equipes especializadas em áreas afetadas em até 12 horas, com atuação nas primeiras 72 horas após os desastres.
Dentro do AdaptaSUS, Mato Grosso do Sul teve sete projetos selecionados no PET-Saúde Clima (Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde). O melhor colocado do país foi “Saber Local, Resiliência Coletiva: PET-Saúde Clima na Fronteira das Vulnerabilidades Urbanas de Campo Grande”, desenvolvido pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e pela UFMS (Universidade Federal Mato Grosso do Sul).
Também foram contemplados os projetos “Abordagem Territorial das Leishmanioses no Município de Campo Grande”, em parceria entre a Sesau e a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), e “Pantanal Vivo e Saudável: Equidade, Vigilância e Inovação no Enfrentamento às Emergências Climáticas e Ambientais”, desenvolvido pelas secretarias municipais de Saúde de Coxim e Corumbá em conjunto com a UFMS.
Outra iniciativa selecionada foi “Mudanças Climáticas e Saúde de Populações Vulneráveis”, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde de Dourados em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde.
Além disso, o Ministério da Saúde implantará Centros de Informação em Saúde e Clima em oito localidades do país para monitorar riscos em tempo real, integrar dados epidemiológicos e meteorológicos e orientar gestores e profissionais de saúde. No Centro-Oeste, a unidade ganha em Cuiabá (MT). A pasta também lançou o Painel Nacional de Monitoramento de Calor Extremo, que fornecerá informações diárias para os 5.570 municípios brasileiros com até cinco dias de antecedência.
