Professores de Campo Grande rejeitam proposta de 3,4%
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Professores de Campo Grande rejeitam proposta de 3,4%

Na mesa de negociação, Executivo ofereceu 1,7% em duas etapas, mas categoria cobra índice nacional de 5,4%

Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento
Professores rejeitam proposta de reajuste parcelado do Piso 20h durante assembleia (Foto: Marithê do Céu/ACP)

A negociação entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) segue sem acordo. Em reunião realizada na manhã de quarta-feira (24), o Executivo apresentou proposta de reajuste de 3,4%, dividida em duas parcelas de 1,7%, mas a oferta foi recusada pelo ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), que defende a aplicação integral dos 5,4% previstos na política nacional do Piso 20h.

Professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande rejeitaram proposta de reajuste de 3,4% parcelado apresentado pela Prefeitura, exigindo os 5,4% previstos no Piso 20h. A decisão foi aprovada em assembleia na quinta-feira (25). Nova rodada de negociações está marcada para quarta-feira (1º), às 10h, no Paço Municipal. O município alega déficit financeiro, gastando R$ 1,5 milhões em atraso com receita de R$ 960 milhões do Fundeb.

A proposta foi debatida durante reunião da Comissão Mista de Negociação, formada por representantes da Prefeitura, da ACP, da Comissão de Educação da Câmara Municipal e do Conselho de Secretários. Diante da recusa, as partes marcaram uma nova rodada de negociações para a próxima quarta-feira (1º), às 10h, na Prefeitura de Campo Grande, quando o Executivo deverá apresentar uma nova alternativa.

A decisão da diretoria da ACP foi posteriormente referendada pela categoria na Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite de quinta-feira (25), no auditório da Fetems. Os professores aprovaram a rejeição da proposta e mantiveram a reivindicação pelo cumprimento integral do reajuste de 5,4%, que beneficia quase 9 mil profissionais da rede municipal.

Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento
A reunião entre secretários municipais, sindicato e Comissão de Educação da Câmara terminou sem acordo na quarta-feira (Foto: Marithê do Céu/ACP).

Ao Notícias Campo Grandeo presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni, afirmou que a proposta foi rejeitada ainda durante uma reunião por não atender ao percentual considerado mínimo pela categoria. “Eles trouxeram uma proposta que não contemplava os 5,4%. Deixamos claro que não iríamos avaliar uma proposta abaixo desse percentual”.

Segundo Gilvano, a proposta anterior a concessão de 3,4%, dividida em duas parcelas de 1,7%, com pagamento previsto para dezembro deste ano e janeiro de 2027. Como o percentual ficou abaixo da transação, o sindicato optou por não levá-la a considerar para discussão durante a negociação. “A gente prefere nem levar essa proposta para avaliação porque ela não atingia os 5,4%”, explicou.

O presidente da ACP afirmou que a posição da categoria é de não abrir a mão do índice reivindicado, por entender que ele decorre da própria política municipal do Piso 20h. “Não tem como abrir mão desse percentual, porque não faz sentido uma repactuação abaixo do que determina o piso.”

Segundo ele, a assembleia realizada na quinta-feira (25) confirmou esse entendimento. Os professores aprovaram em assembleia geral oficialmente a recolher da proposta apresentada pela Prefeitura e autorizaram a continuidade das negociações apenas se houver avanço na direção de 5,4%.

Embora reconheça as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, Gilvano argumenta que os recursos destinados à educação possuem vinculação legal e podem ser reorganizados para permitir o pagamento do reajuste. “A gente entende o momento que Campo Grande está passando, entende as dificuldades financeiras, mas os recursos da educação têm destinação específica.”

Segundo ele, o sindicato não defende aumento de despesas fora da capacidade financeira da Prefeitura, mas sim uma reorganização das verbas já previstas ao setor. “Se houver uma reorganização dentro dessa vinculação, é possível pagar os 5,4% sem onerar ainda mais os cofres públicos”.

Ainda conforme o presidente da ACP, o objetivo da negociação é garantir a valorização dos profissionais que atuam nas escolas da rede municipal. “É nisso que estamos trabalhando: garantir os 5,4% e valorizar o professor que está em sala de aula”.

Mobilização – No último dia 12 de junho centenas de professores da Rede Municipal de Ensino realizaram paralisação e caminhada pelas ruas centrais de Campo Grande para cobrar a aplicação da política do Piso 20h.

Com bandeiras, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes percorreram a Rua Rui Barbosa e a Avenida Afonso Pena até o Paço Municipal, onde uma comissão foi recebida pela prefeita Adriane Lopes (PP), vereadores e membros da administração.

Professores rejeitam proposta da prefeitura de 3,4% de aumento
Professores durante manifestação na Avenida Afonso Pena no dia 12 de junho (Foto: Arquivo/Osmar Veiga)

Na reunião final daquela reunião, a prefeita afirmou aos representantes da categoria que a administração cumpriria a política do Piso 20h, enquanto o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, explicou que o principal obstáculo é financeiro.

Segundo ele, o município recebe aproximadamente R$ 960 milhões por ano do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), mas gasta cerca de R$ 1,5 bilhão apenas com a folha de pagamento da educação. “Recebemos cerca de R$ 960 milhões por ano e gastamos aproximadamente R$ 1,5 bilhão com o pagamento de atraso. Ou seja, mais de R$ 500 milhões precisam sair da caixa da Prefeitura”, afirmou na ocasião.

O secretário acrescentou que a redução das receitas públicas exige uma análise detalhada das contas para encontrar uma forma de cumprimento ou reajuste. “Hoje já temos um déficit e o desafio é justamente entender como vamos reequilibrar essa situação”.

A reportagem da Prefeitura de Campo Grande reivindica para saber se a próxima proposta contemplará o reajuste de 5,4% pela categoria e quando ela for apresentada aos representantes dos professores. O espaço segue aberto para manifestação.

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