Histórias mostram mudanças nos desejos e a valorização crescente do companheirismo
Aos 83 anos, dona Doraci Sebastiana conta que já teve uma vida sexual animada nos tempos de juventude. Segundo ela, a vida teve seu auge quando saía, namorava, beijava na boca e vivia experiências que julga importantes para sua trajetória. Mas o tempo passou. Hoje, viúva há três décadas, ela garante que a falta do sexo já não faz mais diferença na rotina.
“Estou viúva e faz 30 anos que eu estou sem. Lido muito bem com isso e acho que é da minha natureza. Hoje em dia os mais jovens são mais pra frente, vão passando de um para outro”, comenta.
A experiência da aposentada ajuda a abrir o debate sobre a importância do sexo na terceira idade. Será que, depois de certo tempoele é realmente importante?
“Velho que fala que é garanhão está mentindo”
Aos 82 anos, José Gilmar fala do assunto com bom humor. Pai de dez filhos, ele confirma que a vida sexual teve papel importante quando mais novo e até na construção da família, mas acredita que muitos exageram quando falam sobre desempenho na velhice.
“O velho de 70, 80 anos quando conversa dizendo que é garanhão, que faz isso ou aquilo, é mentira. Depois de um tempo não vai para lugar nenhum e a gente até esqueceu disso”, garante.”, brinca.
Apesar da brincadeira, Gilmar defende que a sexualidade não desaparece necessariamente de repente, mas vai assumir outras formas. “Tem outros jeitos. Eu posso fazer sexo até olhando, observando uma pessoa. Não é só estar agarrado”, destaca.

Antônio Oliveira, de 75 anos, acredita que não existe uma idade exata para parar, mas isso vai acontecer naturalmente. “A hora de parar ninguém sabe. É uma coisa do organismo, que vai fracassando”, avalia.
Ele lembra que algumas pessoas recorrem a medicamentos para manter o desempenho sexual, mas ressalta que a decisão é individual. “Quem quer essas coisas forçadas pela medicação vai procurar, mas daí já não é ele, é o remédio”, afirma.
Se para alguns o sexo perde espaço, para outros o segredo está justamente em manter o companheirismo. Isac Barbosa, que completa 60 anos neste ano, está há 38 anos ao lado da esposa, Rosângela da Silva, de 55.
Reservado, ele diz que teve poucos relacionamentos antes do casamento, mas acredita que o namoro não deve acabar nunca. “Você sempre tem que namorar. Sempre sair, passear. Não pode parar, porque se parar envelhece mais rápido”, relata.
Rosângela concorda. “É como no começo. Não pode deixar o tempo levar. Tem que estar junto, conversar, passear. Isso é bom”, explica.
Solidão sem sofrimento – Viúvo, Amarildo Pereira, de 62 anos, vive atualmente apenas com um cachorro. Mesmo sozinho, ele garante que não sente falta da vida amorosa como antes. “Hoje é eu, Deus e um cachorro. Já não é aquela coisa, mas isso é o natural da vida”, finaliza.
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