Júri por morte de jogador esquartejado será transferido para Amambai – Interior
TJ deferiu pedido de advogados, por risco à ordem pública e segurança dos acusados
O julgamento dos acusados de matar e esquartejar o jogador Hugo Vinicius Skulny Pedrosa, de 19 anos, sairá de Sete Quedas e será realizado em Amambai. A transferência foi determinada pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) por meio de desaforamento, medida usada quando há dúvida sobre a imparcialidade dos jurados, risco à ordem pública ou à segurança dos réus.
O julgamento dos acusados de matar e esquartejar o jogador Hugo Vinicius Skulny Pedrosa, de 19 anos, foi transferido de Sete Quedas para Amambai por decisão unânime do TJMS. O desaforamento atendeu aos pedidos das defesas, que alegaram risco à imparcialidade dos jurados. O crime ocorreu em junho de 2023, após a jovem saída de festa no Paraguai. Danilo Alves confessou o assassinato, e Rubia Joice, ex-namorada da vítima, é coautora.
O acórdão é de 13 de maio de 2026 e foi decidido por unanimidade pela 2ª Seção Criminal do TJMS, sob relatoria do desembargador Jairo Roberto de Quadros. No processo, Rubia Joice de Oliver Luvisetto, Danilo Alves Vieira da Silva e Cleiton Torres Vobeto foram pronunciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Já Patrick Eduardo do Nascimento e Noemi Matos de Oliver responderam por fraude processual. O tribunal determinou que o julgamento seja transferido para Amambai, mantendo a unidade do processo por conexão entre os crimes atribuídos aos corréus.
Rubia Joice está presa em Campo Mourão (PR) e Danilo está detido desde agosto de 2023, quando foi localizado em Iguatemi.
O desaforamento atende aos pedidos apresentados pelas defesas de Rubia Joice de Oliver Luvisetto e Cleiton Torres Vobeto. Rubia é representada pelos advogados Felipe Cazuo Azuma e Alberi Rafael Dehn Ramos. Já Cleiton tem como defensores Hildebrando Corrêa Benites e Hilderan Macedo Benites.
As defesas alegaram que a repercussão do crime poderia comprometer a imparcialidade dos jurados em Sete Quedas. No caso de Cleiton, ainda foi solicitado que o júri fosse levado para Ponta Porã, o que foi negado.
Ao analisar o caso, o relator ponderou que a repercussão midiática, a comoção social e a notoriedade da vítima não bastam, sozinhas, para tirar um júri da comarca onde o crime ocorreu. Para o TJMS, aceitar esse argumento como regra faria basicamente todo crime grave em cidade pequena ser julgado fora dali, o que seria uma ocorrência da medida.
Apesar disso, a Justiça concluiu que este caso tem situações concretas que justificam a exceção. O juiz da comarca de Sete Quedas informou ao tribunal que havia recebimento quanto à autorização dos jurados e risco de tumulto durante a sessão. Segundo o magistrado de origem, o crime provocou “polarização sem precedentes” na cidade, de aproximadamente 11 mil habitantes, e a malha social local dificultaria a formação de um Conselho de Sentença sem vínculos diretos ou indiretos com os envolvidos.
Para o relator, a manifestação do juiz de primeiro grau teve peso especial porque ele é o mais próximo da realidade local. A 2ª Seção Criminal também demorou para que Amambai tenha estrutura suficiente para receber o julgamento e ficar na próxima comarca, como prevê a legislação.
O caso – Hugo Vinicius Skulny Pedrosa desapareceu em junho de 2023, depois de sair de uma festa em Pindoty Porã, no Paraguai, cidade que faz fronteira com Sete Quedas. Conforme denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ele foi deixado por amigos na casa da ex-namorada, Rubia, e não foi mais visto.
Dias depois, partes do corpo do jogador foram derrotadas no Rio Iguatemi. Exame de DNA confirmou que os restos mortais eram de Hugo.
Rubia foi apontada pela investigação como suspeita de participação na morte do ex-namorado. Danilo Alves Vieira da Silva também virou réu e, em audiência, confessou ter matado e esquartejado Hugo, mas alegou que agiu para o zagueiro Rubia durante uma briga. Conforme reportagens anteriores do Campo Grande News, também foram citados no processo Cleiton Torres Vobeto, amigo de Rubia, por ocultação de cadáver, além de Noemi Matos de Oliver e Patrick Eduardo do Nascimento, mãe e padrasto de Rubia, por suposta fraude processual.
Segundo a acusação, Noemi e Patrick continuaram ajudando a encobrir vestígios do assassinato. Durante as investigações, os dois também tiveram que dizer que Rubia estava com a família, versão apontada como álibi e depois derrubada.
Antes do desaforamento, o processo já havia passado por uma reviravolta. Em junho de 2025, o TJMS anulou a primeira decisão que mandava os réus ao júri, após recurso do MPMS por excesso de linguagem e pela retirada de qualificadas. Em agosto, uma nova pronúncia voltou a levar o grupo ao julgamento, com a tipificação individualizada para cada acusado.

